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E se houvesse uma fórmula para escrever um bestseller?

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E se houvesse uma fórmula para escrever um bestseller?

 

Desde os treze anos que, como muitos outros escritores, comecei a passar horas e horas a fio com cadernos e lápis atrás de mim (só mais tarde comecei a usar o computador) para escrever histórias. Perante sucessos internacionais de jovens escritores como Christopher Paolini, que escreveu o bestseller Eragon com apenas 16 anos, tinha a ambição de me tornar no próximo grande nome da literatura fantástica.

Porém, escrever um bestseller não é uma simples tarefa, como cedo percebi. Mais do que a história em si, a escrita conta muito para tornar uma obra num bestseller. Cada palavra, a forma como uma frase é construída e até mesmo como os capítulos são organizados numa sequência lógica: nada pode ser deixado ao acaso.

Neste post, conto-vos por isso a história de Jodie Archer e Matthew Jockers, dois investigadores relacionados com mercado da literatura que tentaram perceber o que faz de um livro um bestseller. Para encontrarem respostas, investigaram mais de 20 mil romances aleatórios publicados nas últimas três décadas e tentaram encontrar a fórmula para o livro perfeito.

O que faz de um livro um bestseller?

Antes de mais, façamos as devidas apresentações. Os investigadores deste estudo são Jordie Archer, uma antiga colaboradora da editora britânica Penguin e Matthew Jockers, um professor da Universidade de Nebraska-Lincoln que dá aulas de inglês. Unidos pela literatura e pela curiosidade de saberem mais sobre esse mundo, os investigadores lançaram-se então numa demanda à procura da fórmula para se escrever um bestseller.

E as conclusões que retiraram foram de facto fascinantes. No estudo, afirmam que livros que usam grandes quantidades de verbos como “need” (precisar), “want” (querer) e “do” (fazer) têm o dobro da probabilidade de se tornarem um sucesso de vendas. Incrivelmente, a simples palavra “Ok” triplica a hipótese do livro se tornar um bestseller, como pode ser facilmente confirmado pela capa e história de A Culpa é das Estrelas, do norte-americano John Green.

Entretanto, parece que velhos clichés como unicórnios, anões e outras criaturas mágicas já não causam tanto furor como acontecia pela altura em que O Senhor dos Anéis chegou ao mercado. A análise dos dois investigadores concluiu que o público que lê prefere, em média, histórias mais reais, com personagens que se podiam facilmente encaixar no nosso mundo.

A densidade psicológica das personagens garante ainda que o livro se pode tornar facilmente num sucesso de vendas: se souber escrever os pensamentos das suas personagens, explicar as suas motivações e descrever aquilo que sentem, será capaz de conquistar mais facilmente o público.

Entretanto, os investigadores consideraram ainda aspectos mais subtis de cada obra, como a construção do enredo, das personagens e a forma como a narrativa se prolonga. O resultado final desta investigação foi então um algoritmo a que os investigadores deram o nome de “bestseller-ometer” que, supostamente, é capaz de identificar um futuro sucesso de vendas nas livrarias.

Porém, não posso deixo de apontar que há aqui um claro problema: o que vai acontecer daqui a dez anos, quando este algoritmo perder a sua atualidade e palavras como “Ok” perderem o valor? Essa é uma questão para refletir e considerar num futuro post.

 

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