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O que é uma biblioteca? O conceito está a mudar

O que é uma biblioteca? O conceito está a mudar

 

Durante séculos, as bibliotecas foram vistas como lugares que abrigam livros. Este significado da palavra é incorporado dentro do termo “librairie”, que vem do francês antigo usado no século XIV e que significa “coleção de livros“.

Uma imagem de pilhas empoeiradas vem-nos sempre à mente ao proferimos a palavra biblioteca. Porém, como sabemos, o conceito do livro está mudar, moldando-se ao novo meio tecnológico. Consequentemente, a forma como aprendemos está também num processo de mutação.

Um novo estudo da Pew Research Center que se focou em quem usa as bibliotecas nos Estados Unidos, com que frequência e para que fim chegou a algumas conclusões interessantes. É disso mesmo que vamos falar nos parágrafos que se seguem.

Biblioteca: um termo em construção

Começamos pela conclusão principal obtida pela Pew: as pessoas que vão a bibliotecas identificam-se como “aprendizes de longo termov” e têm mais propensão em visitar uma biblioteca do que aqueles que não procuram estar a aprender novas coisas regularmente. Quem utiliza bibliotecas está, por exemplo, mais aberto para perseguir actividades pessoais de aprendizagem.

Mas aprendizagem não significa, necessariamente, ler livros. Cursos de formação, palestras e vídeos são métodos que também atraem pessoas às bibliotecas: atividades didáticas, palestras ou workshops ou até mesmo a da audição de música ou de um filme. Tudo isto pode acontecer no espaço de uma biblioteca sem que tenha necessariamente de pegar num livro.

Porém, para acomodar estas diferentes necessidades – assim como receber todos os visitantes – as bibliotecas nos Estados Unidos expandiram o seu propósito para incluir eventos comunitários e ainda um espaço para que se possa usar a Internet. Contudo, de acordo com a investigação da Pew, muitos dos visitantes de uma biblioteca não estão conscientes de que estes serviços estão disponíveis.

Na verdade, o estudo aponta que enquanto 62% das bibliotecas oferecem recursos relacionados com trabalho e emprego, uma larga fatia de 38% dos adultos desconhece por completo a existência deste tipo de serviços. Da mesma forma, 35% das bibliotecas oferece equivalências a escolas superiores e quase metade dos adultos não sabe que isto acontece. Os números são semelhantes no que toca a programas para apoiar a criar um novo negócio, programas online para certificar uma pessoa numa nova habilidade ou empréstimo de e-book.

Descontos!
 

No que toca a este ultimo ponto é necessário notar que a disparidade dos serviços pode estar relacionada com o facto de a leitura de e-books não ser tão popular. O esforço de ler a partir de um ecrã tem sido visto como um factor contra a dificuldade em ler e aprender, enquanto que o livro impresso continua a não ter de lidar com este tipo de problemas.

Ainda assim, bibliotecários norte-americanos que têm investido e procurado financiamento para novas iniciativas podem achar estes números estranhos. De acordo com uma resposta do The Atlantic ao estudo da Pew, mais fundos podem ajudar as bibliotecas a atrair mais utilizadores, já que o número desceu cerca de 9% nos Estados Unidos desde 2012. Este dado é revelado pelo Institute of Museum and Library Services, que aponta então uma redução de 8.2% das visitas físicas desde que se registou um pico em 2009. Porém, no que toca a visitas digitais, o paradigma pode ser ligeiramente diferente.

Uma vez que os sistemas online das bibliotecas não registam acertadamente as visitas online, é impossível saber a dimensão deste tipo de consulta. Ainda assim, por muito que a Internet tenha revolucionado a forma como consultamos informação, muitos dos serviços bibliotecários continuam a estar apenas disponíveis em suporte físico.

Para evitar que as bibliotecas desapareçam totalmente, Robinson Meyer – do The Atlantic – aponta que “há evidência empírica de que a utilização segue investimento. Se as bibliotecas receberem mais financiamentos públicos, haverá mais pessoas a usá-las”. Isto faz mais sentido do que parece. Se os bibliotecários proporcionarem serviços que os visitantes realmente querem – investir em recursos que podem ser lidos, vistos e vividos – então aumentar as visitas é apenas uma questão de espalhar a palavra e de mostrar aquilo que está disponível.

As bibliotecas evoluíram para muito mais do que casas que abrigam livros. Ainda assim, o propósito original destes espaços mantém-se e as bibliotecas continuam a ser valorizadas por quem as visita. De forma a preservar os materiais de leitura, e de promover novas formas de conhecimento, futuros visitantes precisam primeiro de perceber para que serve uma biblioteca.

 

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