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Ser bilingue mantém o cérebro humano em forma?

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Ser bilingue mantém o cérebro humano em forma?

 

Durante muitos anos cientistas prestaram atenção ao bilinguismo: a capacidade para se ser fluente em pelo menos dois idiomas. Tais estudos, que analisaram as diferentes formas de como esta capacidade afeta o cérebro humano, chegaram recentemente a conclusões interessantes que mostram que ser bilingue envolve de facto controlo executivo e contribui para reduzir o índice de demência antes de uma certa idade.

Ao falarem em controlo executivo, os investigadores apontam que indivíduos bilingues mostraram maior capacidade para se concentrarem em tarefas mentais desafiadoras e ignorar distracções que os rodeassem. Por sua vez, investigações realizadas em paralelo estimaram que indivíduos bilingues desenvolviam demência, em média, cerca de cinco anos depois de indivíduos monolingues.

Em 2016, no entanto, surgiram novas evidências sobre a influência que o bilinguismo pode exercer no ser humano: um grupo de investigadores da Universidade de Anglia Ruskin descobriu que os jovens estudantes bilingues registaram melhores taxas de sucesso ao responder a perguntas difíceis com vozes altas no fundo do que o grupo de estudantes monolingues.

O estudo, ainda que pequeno – considerando uma amostra de 40 estudantes, 20 em cada grupo – comprovou no entanto que estudantes bilingues que falam uma grande diversidade de línguas, incluindo italiano, espanhol, bengali, polaco e russo, além do inglês, têm um maior controlo executivo sobre si mesmos.

Para levar a investigação a um patamar mais alto, os investigadores tentaram distrair os participantes com gravações em inglês (idioma partilhado por todos) e o grego (idioma que nenhum dos participantes falava). A conclusão retirada foi que todos os bilingues tiveram resultados melhores ao tentar ignorar a gravação em grego. Por sua vez, durante a reprodução da gravação em inglês, os bilingues registaram uma taxa de sucesso pouco maior do que os estudantes monolingues.

Entretanto, maioria dos investigadores partilham todos a mesma hipótese: ser bilíngue é um constante exercício mental de inibição. Graças ao conhecimento de pelo menos duas línguas, quase tudo pode ser chamado por dois nomes (palavras) e ser expressado de duas formas diferentes (gramática). Sempre que se chama algo por um nome, a sua alternativa deve ser posta de lado. Sempre que se constrói uma frase, outra estrutura tem de reprimida. Isto, por si só, estimula a capacidade cerebral de controlo executivo.

Bloquear informações desnecessárias é exatamente o que as evidências indicam: indivíduos bilingues conseguem fazê-lo melhor. Quanto à demência, é um efeito aparentemente análogo aos benefícios da atividade física, que mantém o corpo em forma.

 

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