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Camilo Castelo Branco: o expoente do romantismo português

Camilo Castelo Branco: o expoente do romantismo português

 

O escritor Camilo Ferreira Botelho de Castelo Branco nasceu a 16 de Março de 1825, em Lisboa, na freguesia dos Mártires. Os seus pais, Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco e Jacinta Rosa do Espírito Santo, batizaram-no na Igreja dos Mártires, no dia 14 de Abril de 1825, tendo tido como padrinhos o Dr. José Camilo Ferreira Botelho, de Vila Real, e aa Nossa Senhora da Conceição.

Devido à condição humilde da mãe de Camilo, a criança foi registada como filho de mãe incógnita, tanto quanto se sabe por vontade do pai e da avó, que não queriam que o nome Castelo Branco fosse associado a alguém de uma classe social tão baixa.

Entretanto, com a morte do pai, Camilo Castelo Branco foi obrigado a mudar-se para Trás-os-Montes, inicialmente instalando-se em Vila Real e, mais tarde, em Vilarinho da Samardã, na casa da irmã mais velha, onde pode apreciar a natureza e receber inúmeras influências para a sua obra literária.

Uma prova literária que nos chega desses tempos está na obra Duas Horas de Leitura, onde o autor nos aponta os momentos de meditação passados na casa da irmã como sendo os mais felizes da sua vida. “O meu gosto era pascer o rebanho de casa por aqueles saudosos vales”, escreveu o autor.

Sabemos ainda, através de várias biografias e registos, que era costume seu levar a cabo excursões pelos arredores com vizinhos da mesma idade. No entanto, havia também momentos em que se isolava, dedicando-se à meditação. Por vezes, sentado num penhasco, “deixava-se absorver pela paisagem”, numa atitude de perfeita solidão.

Após uma tentativa de enveredar pelo curso de Medicina, no Porto, acaba por deixar as ciências pelo Direito. A partir de 1848, faz uma vida de boémia repleta de paixões, repartindo o seu tempo entre os cafés e os salões burgueses e dedicando-se entretanto ao jornalismo. Em 1850, toma parte na polémica entre Alexandre Herculano e o clero, publicando o opúsculo O Clero e o Sr. Alexandre Herculano, defesa que desagradou a Herculano.

 

Camilo Castelo Branco: um fracasso nos estudos e nos amores

Ao longo da sua vida revelou-se um fracasso nos estudos e nos amores. Os reveses da vida fazem com que acredite que a fatalidade e a desgraça são destinos aos quais não pode fugir. A famosa obra pelo qual é mais conhecido, com o título Amor de Perdição, expressa bem esta crença fatalista do autor.

A sua paixão proibida por Ana Plácido, uma mulher casada, constitui talvez o capítulo mais importante da sua vida. Esposa do negociante Manuel Pinheiro Alves, um brasileiro que inspirou várias das suas personagens satíricas, Ana Plácido é seduzida e “raptada” por Camilo em 1950. O casal, que esteve a monte durante alguns meses, acaba eventualmente por  ser capturado e encarcerado na Cadeia da Relação, no Porto.

Esta detenção – da qual restam vestígios, numa cela da antiga cadeia que é hoje o Centro Português de Fotografia – foi importante para Camilo, uma vez que proporcionou o momento para conhecer o famoso salteador Zé do Telhado e escrever Memórias do Cárcere. Finalmente,  o casal é absolvido e começa a viver uma vida a dois, ainda que mal aceite pela sociedade. Só se casariam muitos anos mais tarde, no dia 9 de março de 1888, depois de terem tido três filhos e de enterrarem um deles.

Durante a sua vida, Camilo Castelo Branco viveu entre o Porto e Vila do Conde, cidade onde escreveu alguns dos títulos mais importantes da sua bibliografia. A cidade de Póvoa do Varzim também foi um destino frequente, ainda que de passagem, uma vez que era aí que o escritor jogava e apostava fortunas, em partidas que aconteciam no antigo Hotel Luso-Brazileiro, junto do Largo do Café Chinês.

Camilo passa os últimos anos da vida ao lado da esposa mas a sua vida não é fácil: as dificuldades financeiras, a doença e a incapacidade dos filhos para se vingarem na vida – descreveu o filho Nuno como um desatinado e Jorge como louco – enchem-no de preocupações. Por fim, quando começou a ficar cego – devido à Sífilis que tinha contraído anos antes – Camilo Castelo Branco põe termo à vida, disparando um tiro de revólver na têmpora direita enquanto a esposa acompanhava o médico até à porta de casa.

 

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