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Codex Seraphinianus: a enciclopédia indecifrável sobre um mundo imaginário

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Codex Seraphinianus: a enciclopédia indecifrável sobre um mundo imaginário

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Não existe talvez livro mais estranho e fantástico que o Codex Seraphinianus. Se nunca ouviu este título, vai ficar de certo interessado em saber que se trata de uma enciclopédia repleta de detalhes sobre um mundo imaginário.

O texto que podemos encontrar nesta obra é totalmente indecifrável, porém, encontra-se repleto de centenas de desenhos feitos pelo artista e arquitecto italiano Luigi Serafini que tornam mais vívida toda esta realidade fictícia e, de certa forma, são bem sucedidas em acrescentar-lhe um pouco de realismo.

Recorrendo a um alfabeto inventado, num idioma que não existe, Luigi Serafini escreve-nos (e ilustra-nos) temas do dia-a-dia como a zoologia, botânica, arquitetura e etnografia mas sobre um prisma fantástico e visionário. O resultado foram quase 400 páginas com ilustrações que prometem surpreender, fazer rir e pôr ideias estranhas na nossa cabeça.

Codex Seraphinius: qual o propósito de um livro que não pode ser lido?

Mais do que se assumir como obra literária (porque, na verdade, não há ninguém que o consiga ler), este livro tem sido falado ao longo das últimas décadas por ser uma verdadeira obra de arte em forma de enciclopédia. O livro encontra-se dividido em 11 capítulos que contam com desenhos feitos à mão com lápis de cor e que procuram demonstrar as características de seres surreais, a natureza e objetos do dia-a-dia que os rodeiam.

História, biologia, sexualidade, vestuário, arquitetura, maquinaria e, inclusive, o que se pode concluir como aspectos químicos e físicos das coisas, são demonstrados com peculiar exatidão de material científico. Se acha que este é um livro repleto de disparates, tenha em consideração que nomes como Italo Calvino, Tim Burton, Philippe Decouflé e John Cage encontram-se entre aqueles que reconhecem a beleza deste livro.

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O Codex Seraphinianus foi desenvolvido ao longo de trinta meses, sendo então publicado pela primeira vez em 1981. O autor, Luigi Serafini, passou décadas em silêncio a respeito do conteúdo indecifrável do livro e, durante esse período de tempo, inúmeros linguistas tentaram sem sucesso decifrar o significado do misterioso alfabeto. Porém, apenas o sistema de numeração das páginas foi descodificado como de base 21. Se o nosso sistema de paginação é decimal (0123456789), o sistema do Codex Seraphinianus assenta num sistema vigésimo-unário.

Após anos e anos sem proferir uma palavra acerca do Codex Seraphinianus, Luigi Serafini prestou algumas declarações esclarecedoras durante uma palestra que deu na Universidade de Oxford. Aí, explicou que o texto da enciclopédia não tem qualquer tipo de sentido: a criação do alfabeto e do texto tem como base um método semelhante a psicografia.

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Concluindo, a ideia do autor era a de transmitir ao leitor a mesma sensação que uma criança que ainda não sabe ler tem ao abrir livros: ainda que não seja capaz de decifrar as letras, procura encontrar sentido nas ilustrações.

 

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