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Console Wars retrata a rivalidade entre Sonic e Super Mario

Console Wars retrata a rivalidade entre Sonic e Super Mario

 

Os dois personagens já partilharam o mesmo videojogo, mas nem sempre a relação entre ambos foi tão pacífica. Aliás, durante muito tempo, Sonic e Super Mario foram mesmo rivais. Tudo começou na década de 90, altura em que a Nintendo era o principal nome da indústria dos jogos para consola. Isto até que a SEGA resolveu meter-se no caminho e fazer-lhe frente. Começava então a Console Wars (Guerra das Consolas, em português), período retratado no livro de Blake J. Harris.

Numa época onde os gráficos não eram tão realistas quanto hoje ou onde não havia tanta oferta no que toca a consolas, a Nintendo exigia que os produtores de videojogos assinassem um contracto de exclusividade. Por outras palavras, o jogo só poderia funcionar na Nintendo Entertainment System, a famosa NES. Tendo isto em consideração, nem sequer passava pela cabeça dos jogadores comprar outra consola.

A mudança deu-se quando a SEGA decidiu tomar uma medida arriscada ao contratar Tom Kalinske, um homem de negócios que antes tinha trabalhado para a Mattel e sido responsável por trazer a Barbie e  a Hot Wheels de novo à ribalta. Com a nova contratação, a Sega enveredou por uma política de promoção agressiva, pautada pela aposta em estratégias de publicidade assumidamente anti-Nintendo.

Console Wars: Mario vs. Sonic

Na altura em que chegou à empresa, foi apresentada a Kalinske uma consola que também viria a marcar gerações: a Mega Drive. Uma vez lançado, o aparelho foi bem-recebido. Alguns críticos elogiaram até a superioridade em relação à NES.

Todavia, ser melhor não era suficiente para que o dispositivo vencesse na luta pelas vendas. Depois de algum tempo, a SEGA chegou a uma conclusão: aquilo de que realmente precisavam era de um personagem carismático que conquistasse o público. Por outras palavras, precisavam do seu próprio Super Mario.

Posto isto, os designers da empresa começaram a trabalhar numa nova mascote que estivesse intrinsecamente associada à marca. O resultado foi um boneco, inicialmente chamado de Mr. Needlemouse – uma espécie de mistura entre o Rato Mickey e Felix the Cat. Com algum trabalho a empresa acabou por chegar a uma versão final, que seria Sonic, o ouriço supersónico.

Estávamos então no ano de 1991 quando o trabalho final foi lançado. Para criar espectativa, a SEGA escolheu uma feira de tecnologia para fazer a apresentação do personagem. Para isso, colocou dois ecrãs: no superior, víamos Sonic a correr; no inferior, estava Mário, lento, fatigado e visivelmente triste enquanto se tentava a arrastar. Estava oficialmente aberta a guerra com a Nintendo.

Console Wars: uma luta dentro e fora  do ringue

O ataque continuou com a contratação de Buster Douglas, o boxista que pouco tempo antes tinha conseguido derrotar Mike Tyson (cara da Nintendo). Por ironia do destino, um novo jogo de box inspirado em Douglas foi lançado um dia depois do combate com Evander Holyfield. Os fãs do desporto lembrar-se-ão seguramente da partida em que Douglas se apresentou em baixo de forma, acabando por perder por knockout.

Apesar da derrota, a SEGA continuou a apostar na promoção do videojogo. Dados os acontecimentos, a empresa decidiu apostar numa estratégia onde brincava com a situação e gozava consigo própria. Os resultados foram extremamente positivos e permitiram que a companhia se aproximasse de um mercado mais adulto que a considerava “cool”. Por oposição, a Nintendo começou a ganhar uma fama infantil, algo que não estava nos seus planos.

Console Wars: um livro de Blake J. Harris

Em Console Wars, Blake J. Harris mostra-nos uma perspetivas da luta pela supremacia dos videojogos do lado dos trabalhadores que fizeram parte de ambas as empresas. Ao todo, o livro conta com mais de 2 mil entrevistas a membros da equipa de marketing, estrategas e publicitários.

No final, a obra resulta de um longo trabalho de pesquisa, preenchido com diálogos que são por vezes “alterados, desconstruídos ou imaginados” (como, aliás, afirma o próprio autor no prólogo). No futuro, a obra servirá de inspiração a um projeto cinematográfico do qual ainda pouco se sabe. O lançamento deverá ocorrer em 2006 e os realizadores serão Evan Goldberg e Seth Rogen.

 

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