Home / Clássicos da Literatura /

Anaïs Nin: o polémico e erótico “O Delta de Vénus”

delta de vénus

Anaïs Nin: o polémico e erótico “O Delta de Vénus”

 

Anaïs Nin é recordada na história da literatura pela sua escrita audaz e polémica. No blog Mundo de Livros já tivemos a oportunidade de homenagear esta escritora traçando uma biografia sobre alguns dos momentos mais importantes da sua vida. Porém neste post vamos virar a página a uma das suas obras mais importantes: O Delta de Vénus.

Antes de mais, vamos relembrar quem foi esta escritora. Nascida numa cidade perto de Paris, em 1903, Anaïs Nin tinha ascendência francesa, cubana e dinamarquesa. Muita nova, mudou-se para Barcelona ao lado de dois irmãos e, eventualmente, para Nova Iorque, onde abandonou a educação clássica para se tornar modelo e bailarina. Por essa altura, já tinha praticamente esquecido o espanhol, mantendo-se, todavia, fluente em francês e inglês.

É na década de 1920 que a sua vida amorosa começa a ficar interessante. Em 1923, casa-se com Hugh Parker Guiler na cidade de Havana (Cuba). Após o regresso a Paris, Anäis Nin começou a escrever e iniciou um percurso marcante como autora. Em simultâneo, ocupava o tempo com aulas de flamengo. O primeiro livro, D. H. Lawrence: An Unprofessional Study foi lançado em 1932 e julga-se que terá sido escrito em apenas 16 dias.

O contexto de II Guerra Mundial levou Anäis Nin a regressar a Nova Iorque. Para que os seus livros não fossem confiscados, a escritora enviou-os para Frances Steloff da Gotham Book Mart. Apesar das publicações, foram os diários pessoais que distinguiram a escritora. Durante quatro décadas, Nin foi descrevendo pensamentos e experiências. E são esses mesmos diários que sugerem um romance com o também escritor Henry Miller, homem com quem terá partilhado uma vida boémia.

O Delta de Vénus: 15 contos sobre a posição sexual da mulher

Hoje, ao olharmos para a bibliografia de Anaïs Nin, identificamos sem hesitar qual o seu livro mais conhecido: O Delta de Vénus. Porém, são muitos os que não conhecem a história por detrás deste livro erótico, sensual e às vezes até mesmo descrito como pornográfico.

Esta coleção de contos foi escrita na década de 1940 para um cliente privado que se fazia conhecer simplesmente como “Colecionador” e cuja identidade verdadeira acabou por ser identificada como Roy M. Johnson de Healdton Oil, de Oklahoma . Esta pessoa encomendou a Anaïs Nin, assim como a um conjunto de outros escritores e poetas da época, uma história fictícia de teor erótico para seu uso pessoal.

Apesar de Anaïs Nin ter recebido indicações para se focar nos elementos gráficos e sexualmente explícitos, deixando de parte qualquer linguagem poética, a autora não resistiu e deu asas à imaginação. Porque não escrever sobre sexo de uma forma poética? Foi exatamente isso que tentou (e conseguiu) através dos quinze contos inesquecíveis do livro O Delta de Vénus.

No seu Diário (de outubro de 1941), a escritora recorda esta sua encomenda e refere-se a si mesma como “a madame snob desta casa literária de prostituição, da qual a vulgaridade está excluída”.

Com referências ao Kama Sutra e a outros textos como os de Krafft-Ebing, Anaïs Nin procurou demarcar-se dentro do género literário, reconhecendo que as linguagens aplicadas ao público masculino e feminino, no que toca à sexualidade, eram muito diferentes.

Os contos do livro O Delta de Vénus conjuram na mente do leitor uma série de encontros sexuais, onde cores e emoções são transmitidas através de personagens muito próprias. Criando a sua própria linguagem dos sentidos, Anaïs Nin explora uma área da literatura que estava até então reservada aos homens e tece as suas percepções de forma única.

Com uma prosa intensa, debate como ninguém o conceito da sexualidade feminina num mundo onde apenas o amor tem significado. Temas como a masculinidade, domínio do patriarca, desejo homossexual, pedofilia e incesto são abordados ao longo de diferentes formas.

Em 1995, este livro foi adaptado para o grande ecrã pela mão do realizador Zalman Kings. Interpretado por Audie England e Costas Mandylor, a película dá especial enfoque a um dos contos deste livro. Ao longo de mais de uma hora e meia, conhecemos a história de uma escritora americana e de um expatriado americano que começam um romance sórdido entre o caos e a discórdia que se vive em Paris no ano de 1940, no auge da II Guerra Mundial.

 

Partilhar este artigo

Deixar Comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *