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Fernando Pessoa: o lisboeta tímido que dividiu a alma em poesia

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa: o lisboeta tímido que dividiu a alma em poesia

 

Em 1888, quando Portugal era ainda um reino, nasceu Fernando Pessoa, o poeta das muitas caras, numa casa em Lisboa. Apesar de vir a morrer na capital portuguesa (e de ter vivido a maior parte da sua vida nessa cidade) os seus primeiros anos de vida foram passados em Durban, uma colónia da África do Sul, onde o seu padrasto servia como cônsul português.

Quando o pai morre com turbecolose, tinha ele 5 anos, a mãe não tardou a casar pela segunda vez. Fernando Pessoa era por esta altura um rapaz introvertido, provido de uma imaginação sem fronteiras e tinha até um amigo imaginário que seria muito inspirador! Aos 17 anos, acontece o seu regresso a Lisboa e é por essa altura que ingressa no Curso Superior de Letras.

Mas o ensino não era para ele. Não muito depois, a universidade foi substituída pela Biblioteca Nacional. Entre livros de filosofia, religião, sociologia e, claro, literatura, decidiu tornar-se auto-didacta. A educação que tinha recebido numa escola inglesa na África do Sul tinha sido importante, mas Fernando Pessoa procurava expandir horizontes. Em 1912, dois anos após a queda da Monarquia, escreve o seu primeiro ensaio de crítica literária e em 1914 os primeiros poemas de adulto.

Mas a escrita não lhe punha pão na mesa. Vivendo entre casas de familiares e quartos alugados, Fernando Pessoa dedicou-se a fazer traduções ocasionais e a escrever cartas em inglês e francês para firmas com negócios no estrangeiro. A nível amoroso, conhece-se a sua paixoneta por Ofélia (que nos chega até hoje através das cartas trocadas entre o casal). Solitário por natureza, e extremamente tímido, não se conhece também uma vida social muito ativa, muito pelo contrário.

A arca de Fernando Pessoa com muitas folhas… e poetas

Mas o que ficou foi uma marca indelével na cultura portuguesa. Mesmo a nível mundial, o legado de Pessoa é impressionante! Além de ter participado na criação de movimentos como o Interseccionismo e o semi-futurista Sensacionismo, Fernando Pessoa esteve por detrás de tertúlias e fez amizade com nomes notáveis como Mário Sá Carneiro e Almada Negreiros. Parte do seu trabalho literário foi publicado nas edições da revista Orfeu, mas o universo literário que conhecemos hoje só foi exposto após a sua morte.

A timidez de Fernando Pessoa não se reservava apenas ao seu contacto com os outros. Mantendo-se longe das luzes da ribalta, continuou a escrever, mesmo que não procurasse ser publicado. Após a sua morte, a família descobriu na sua arca mais de 25 mil folhas com poesia, peças de teatro, textos políticos, ensaios linguísticos, horóscopos, entre outros textos. Escritos em folhas de cadernos, panfletos ou no papel timbrado das firmas nas quais trabalhava, todos estes textos encontravam-se assinados… embora por muitos nomes.

Ao longo da sua carreira, Fernando Pessoa escreveu sob vários nomes, como forma de distinguir diferentes registos de escrita e personalidades. Entre os seus ilustres heterónimos, encontramos os nomes do sensacionista Alberto Caeiro, o estóico Ricardo Reis e o futurista Álvaro de Campos. Mais do que meros pseudónimos, estes eram homens com histórias definidas, características físicas, datas de nascimento, alguns até mesmo com data de óbito e, obviamente, personalidades concretas.

Considerado por muitos como o maior génio da Literatura Portuguesa e um dos maiores de sempre a nível universal, Fernando Pessoa morreu no dia 30 de Novembro, com 47 anos, daquilo que terá sido uma cirrose hepática. No dia anterior, tinha dado entrada no Hospital de São Luís dos Franceses. A última fase que escreveu, na cama do hospital, não foi em português mas sim em inglês: “I know not what tomorrow will bring” (“Não sei o que o amanhã trará”).

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