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O toque sensível do realismo mágico de Gabriel García Márquez

O toque sensível do realismo mágico de Gabriel García Márquez

 

Mestre do realismo mágico, Gabriel García Márquez é um dos principais vultos desta corrente literária do século XX. A forma como a sua obra trabalha a realidade e o valioso contributo para a humanidade valeram-lhe o Nobel da Literatura de 1982. Entre as principais obras destaca-se Cem Anos de Solidão, um livro sobre uma aldeia da América Latina e as ligações entre as sete gerações da família Buendía-Iguarán.

Gabriel García Márquez nasceu no ano de 1928, em Aracatca, Colômbia. O avô materno era um antigo coronel com ideologia de esquerda que contrastava com as posições políticas do seu pai, que defendia as ideias da ala direita conservadora. As diferenças políticas tornaram difícil o noivado dos progenitores, mas apesar de tudo o antigo coronel acabou por não se opor à união da filha com o pai de Márquez. Da relação de ambos nasceram 12 crianças; Gabriel foi o primeiro e anos mais tarde relembrou esta história de amor no famoso livro Amor em Tempos de Cólera.

Os pilares para o percurso literário foram alicerçados na infância. Gabriel García Márquez viveu até aos 8 anos com a avó, uma contadora de histórias nata, profunda conhecedora das lendas e mitos da América Latina. A imaginação foi também estimulada pelo avó, que frequentemente lhe falava dos conflitos e cenários de guerra. A morte do general fez com que Gabriel voltasse a ficar aos cuidados dos pais durante um curto período de tempo. Mais tarde foi estudar para um colégio interno, onde lhe atribuíram a alcunha de The Old Man (O Homem Velho).

Sem jeito para o desporto, Márquez destacava-se nas línguas e no desenho. Com 14 anos recebeu uma bolsa de estudo no Jesuit Liceo Nacional, onde permaneceu até entrar na Universidade Nacional de Colômbia para estudar Direito. A escolha do curso deveu-se a pressões familiares. Em vez de advogado ou jurista, Gabriel García Márquez queria na verdade ser jornalista.

Com o assassinato de Jorge Eliecer Gaitan Ayala, líder do Partido Liberal Colombiano, e o início da Guerra Civil colombiana (período conhecido como La Violencia), a Universidade Nacional da Colômbia foi obrigada a fechar. Por essa altura, Gabriel García Márquez deixou Bogotá para viver em Cartagena. Começou também finalmente a trabalhar como jornalista, acabando por nunca terminando os estudos em Direito.

Gabriel García Márquez: o início da carreira como escritor

No início dos anos 50, Gabriel García Márquez mudou-se novamente, desta vez para Barranquilla, onde construiu casa num pequeno quarto de um bordel. Entretanto, continuou a trabalhar como jornalista para o El Heraldo e começou a aventurar-se pela leitura de uma grande diversidade de autores, de Virginia Woolf a Franz Kafka e William Faulkner, passando ainda por Sófocles.

O seu primeiro romance chamou-se La Hojarasca, foi lançado em 1955 e bebia inspiração de William Faulkner e do seu Yoknapatawhpa County. No ano anterior, Márquez havia regressado a Bogotá, onde começou a trabalhar no jornal El Espectactor, onde enquanto jornalista usava os seus textos para falar da inoperância e corrupção da ditadura de Gustavo Rojas Pinilla.

Estes textos criaram tal impacto que o jornal acabou por enviar Gabriel García Márquez para a Europa, onde viria a desempenhar a função de correspondente. Entretanto, o El Espectador acabou por fechar. Sem trabalho, o jornalista começou a focar-se na literatura. Em 1957, saía El Coronel No Tiene Quien Le Escriba (Ninguém Escreve ao Coronel na edição portuguesa).

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A paragem seguinte foi a capital venezuelana, Caracas, onde viveu e trabalhou na revista Momento. Entretanto, casou com Mercedes Barcha Prado e teve o seu primeiro filho. Seguiu-se o envolvimento activo na fundação da versão colombiana da agência Prensa Latina e uma viagem para Nova Iorque, onde trabalhou no escritório do mesmo órgão, seguindo caminho para Louisiana e Novo México.

Cem Anos de Solidão e ativismo político

Cem Anos de Solidão foi lançado pela primeira vez em 1967 na Argentina. A obra, que é a mais conhecida do autor, valeu-lhe vários prémios internacionais e foi aplaudida tanto pela crítica como pelo público. Entre os muitos galardões, destacam-se, por exemplo, os prémios Prix du Meilleur Livre Etranger (França) ou o Premio Chianciano (Itália).

A década de 70 voltou a ser marcada pelo ativismo político. Embora continuando a escrever obras clássicas do realismo mágico, Márquez mostrou-se também um apoiante das ideologias mais à esquerda da América Latina. A posição a favor do governo comunista de Cuba fez mesmo com que fosse impedido de entrar nos Estados Unidos da América sem autorização especial.

O regresso à Colômbia deu-se em 1974. Uma vez em Bogotá, Gabriel García Márquez fundou a revista Alternativa e, em 1975, publicou O Outono do Patriarca. Em 1981, Márquez soube dos planos do governo para o prenderem, acusando-o de apoiar um grupo armado esquerdista e resolveu abandonar o país natal. O México foi o país que lhe deu asilo político. No ano seguinte, venceu o Nobel da Literatura.

A premiação foi considerada por Márquez não como um galardão individual, mas como uma vitória para a literatura hispânica. Pouco tempo depois, Belisario Betencur convidou o escritor a regressar à Colômbia, oferecendo privilégios políticos que Márquez recusou. Em 1995, criou a Fundação para o Novo Jornalismo Ibero-Americano. Faleceu em 2010 e descreveu-se a ele próprio como um jornalista que escrevia ficção, mas foi muito mais do que isso, criando verdadeiras obras-primas da literatura que são lidas ainda hoje em todo o Mundo.

 

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