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10 Autores que utilizam a Internet como ninguém

10 Autores que utilizam a Internet como ninguém

 

A Internet é um meio de comunicação com um impacto enorme em todas as vertentes da sociedade. Fenómenos como redes sociais abriram canais diretos entre o público e as pessoas que trabalham para ele. Falamos, por exemplo, de atores, jornalistas, comediantes… e escritores. É precisamente nestes últimos que nos focamos neste post.

Da mesma forma como o comum dos mortais utiliza a Internet para divulgar os seus gostos ou como ferramenta de trabalho, também os escritores criaram páginas na Internet que lhes permitem divulgar o que bem entenderem. Se uns optam por manter uma postura profissional e distanciada, outros criaram espaços onde o lado pessoal e profissional se juntam na mesma persona.

Desta nova relação com o público nasceu um verdadeiro laboratório de experiências. Utilizando este canal privilegiado, muitos escritores têm posto à prova o seu trabalho, ouvindo feedback ou divulgando parcialmente as suas obras. Dizem que experimentalismo contribui para o crescimento profissional, assim como para a aproximação de um público que está efetivamente mais próximo.

Ao longo deste artigo, enumeramos uma lista de 10 escritores que evoluíram na forma de comunicar e acabaram por se tornar verdadeiros casos de sucesso da Internet. Já é seguidor fiel da algum deles?

A Internet como ponte entre o escritor e os leitores

A postura descontraída de Neil Gaiman

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O romancista britânico Neil Gaiman é particularmente ativo no Twitter e no Tumblr.  O escritor construiu uma reputação online de alguém extremamente acessível e brincalhão. É frequente vermos a interação com o público em respostas entusiastas a comentários jocosos. Vejamos, por exemplo, a resposta a um seguidor que diz ser uma pessoa horrível e lhe pergunta “como ser mais simpático”.

A atividade na Internet não se fica por aqui. Na altura em que estava a escrever A Calendar of Tales, Gaiman deixava uma pergunta por mês no Twitter. A resposta de que mais gostava seria posteriormente usada como inspiração. Este é um exemplo de como a interação via redes sociais podem ajudar ambos os lados: o escritor conhece novas ideias; os leitores dão o contributo para a história que querem ler.

Paulo Coelho pediu ajuda para escrever Adultério

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O escritor Paulo Coelho é o líder de um grande império online, onde conjuga o lado profissional com o a sua própria visão do mundo (dentro e fora dos livros). O autor é conhecido pela atividade no Facebook e pela partilha de frequente de imagens e fotografias na sua conta do Instagram.

No processo de escrita de Adultério, Paulo Coelho contou com a ajuda dos seus muitos fãs. Até chegar à versão final do livro, o português leu um total de mais de mil e-mails enviados voluntariamente por pessoas que aceitaram o desafio de mostrar o seu lado mais intimo e relatar os seus próprios casos de infidelidade. Esta foi, sem dúvida, uma enorme prova de confiança.

As caricaturas de Margaret Atwood

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Vencedora do The Man Booker Prize, Margaret Atwood é uma artista extremamente multifacetada. Além da literatura, Atwood gosta de se aventurar por novas áreas sempre que possível, mesmo que estas não sejam propriamente a sua praia. Apaixonada pelo mundo online, especialmente pelo Twitter, a escritora até já caricaturou os avatares de dois dos seus seguidores na rede social.

A par disto, é também uma participante no Wattpad, uma comunidade para pessoas que gostam de ler e pessoas que gostam de escrever. Foi neste contexto que aceitou o desafio de Naomi Alderman e colaborou na série literária The Happy Zombie Sunrise Home. Para Margaret Atwood, esta é uma plataforma de experiências que lhe permite ver mais do que aquilo que veria se só se limitasse a escrever.

Teju Cole: a Internet como fonte de inspiração

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O escritor e fotógrafo nigeriano, Teju Cole, tem um método que muito deve à Internet: utilizando a rede, tira partido de uma série de inspirações da cultura pop e transforma-as nas suas próprias histórias. Um tweet noticioso, por exemplo, foi usado para criar Hafiz, um conto sobre um mendigo.

Um dos seus trabalhos mais recentes chama-se The Time of the Game, uma ideia que utiliza o crowdsourcing para retratar as maneiras diferentes como as várias culturas do mundo vêem a final do mundial de futebol. Os trabalhos fotográficos são divulgados via Flickr e são tão diversos quanto os cenários com que se depara no dia-a-dia.

Ursula K. Le Guin e o seu “café” virtual

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Ursula K. Le Guin é uma escritora norte-americana, famosa nos géneros de fantasia e ficção científica. Além dos livros, a octogenária é também fundadora do Book View Café, uma plataforma colaborativa onde escritores podem divulgar os seus livros via Internet.

Figura influente da literatura, Ursula K. Le Guin destaca-se também como blogger. Não raramente, a escritora está envolvida em polémicas entre os fãs do fantástico e da ficção-cientifica. Podemos referir como exemplo, o polémico post “Are they going to say this is fantasy  (“Vão dizer que isto é fantasia”), onde fala o livro de Kazuo Ishiguro, “The Buried Giant”.

Salman Rushdie: inconformismo que saltou das páginas para a Internet

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O indiano Salman Rushdie usa a Internet como forma de demonstração do seu lado mais inconformado. O autor de The Midnight’s Children está frequentemente envolvido em debates acessos sobre vários assuntos da atualidade, sendo por isso criticado por outros escritores. Vejamos, por exemplo, o tweet onde respondeu às críticas sobre a forma como usava a rede social.

Gary Shteyngart e o gosto pelos animais

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Gary Shteygart tem uma estratégia, no mínimo, curiosa para se relacionar com os seus seguidores. O norte-americano nascido em Leninegrado é conhecido por partilhar frequentemente fotografias de animais nas redes sociais.

Mais curioso ainda é o facto de divulgar pequenas sátiras dos seus próprios livros. O estilo a que já nos habituou é também visível no vídeo de promoção do seu livro Little Failure, onde partilha o ecrã com James Franco vestido com um roupão cor-de-rosa.

Haruki Murakami: perguntem-lhe qualquer coisa

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Conhecido por ser reservado e pouco ativo no mundo da Internet, Haruki Murakami decidiu mudar a sua postura no início de 2015. Dava-se início a uma nova fase da sua carreira em que o escritor japonês afirmava que queria dar resposta a todos os e-mails que os leitores lhe enviassem. Para isso criou o site temporário chamado Mr. Murakami’s Place.

A partir da mesma altura, Murakami tornou-se ativo no Twitter, onde coloca regularmente citações em japonês e em inglês. O escritor é conhecido pelo seu lado introspetivo e pela partilha de frases sobre a atualidade ou sobre a própria natureza humana.

David Mitchell fez do Twitter um “livro”

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O escritor britânico David Mitchell aceitou o desafio lançado pela editora e escreveu uma história dividida em posts de 140 caracteres e colocada no Twitter. A iniciativa fez parte da promoção do livro The Clock Bones, sendo que a narrativa acabou por se chamar The Right Short.

Embora admita não ser grande adepto das redes sociais, Mitchell admitiu o grande poder da Internet na criação de uma ponte com o público, não excluindo a hipótese de se aventurar num desafio semelhante.

Veronica Roth aposta em gifs no Tumblr

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Veronica Roth tem 26 anos e incorpora melhor do que ninguém o típico autor Young Adult, tendo alcançado sucesso internacional com a trilogia Divergente, adaptada recentemente para o grande ecrã. Com um Tumblr chamado The Art of Not Writing (A Arte de Não Escrever), mistura dicas sobre como escrever com atualizações recentes de livros e memes da Internet.

Através de gifs animados responde às perguntas que os fãs lhe fazem, levando a interação com a audiência a um nível pouco explorado. Numa sociedade onde a literatura e o conteúdo digital se começam a conciliar, é importante seguir com atenção os escritores capazes de dizer algo sobre o assunto e de uma coisa temos a certeza: Veronica Roth é capaz.

 

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