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João Borges: um escritor brasileiro empenhado na construção de um futuro melhor

João Borges: um escritor brasileiro empenhado na construção de um futuro melhor

 

Respeito e admiração. Estas duas palavras sintetizam o meu sentimento pelo João Borges, um novo escritor brasileiro cujo primeiro livro aborda uma temática melindrosa, mas pertinente na sociedade actual: o aborto. Confira a minha entrevista com o fundador do site Biblioteca Espaço Digital e autor do livro Nove Meses e Quarenta Minutos.

Conheço o João Borges apenas por via virtual, mas a nossa paixão comum pela Literatura uniu aquilo que a distância física separou à nascença. Nascido em Joinville/SC, Brasil, João Borges é formado em Ciências Económicas com Especialização em Engenharia Económica pela Universidade da Região de Joinville.

É também criador do site Biblioteca Espaço Digital, onde faz um trabalho notável na divulgação e promoção da Literatura e Cultura em geral. Mas hoje apresento uma entrevista sobre o seu primeiro livro Nove Meses e Quarenta Minutos. Após conhecer a incrível história de um casal de amigos, ele resolveu contar através de um romance fictício o percurso sinuoso de uma mãe perante a difícil decisão de abortar legalmente, ou não, sob condição de gestação de alto grau de risco para a gestante.

O livro, já disponível na Amazon Brasil, pretende levantar a reflexão sobre a decisão livre e responsável dos pais, bem como incentivar a conscientização das pessoas sobre a valorização da vida e as diferentes formas de encarar dificuldades utilizando a resiliência como ferramenta para alavancar uma vida feliz e realizada. Mas a missão do João Borges fica bem explícita na última resposta desta entrevista, quando fala na “construção de um futuro melhor”.

Esta é uma obra que merece não apenas a minha recomendação, mas também uma vontade inata de ajudar na sua promoção. Tanto mais que para viabilizar a sua publicação, o autor brasileiro lançou um crowdfunding AQUI NESTA PÁGINA.

Contudo, queria realçar a minha admiração pelo João Borges, não apenas pelo livro, mas sobretudo pela sua história de vida, pela sua vontade genuína de contribuir de forma positiva para a sociedade e pela sua amizade transatlântica.

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Entrevista completa com João Borges

Gonçalo Sousa (GS): Você se lembra do primeiro livro que leu e durante o qual teve real noção do prazer da leitura?

João Borges (JB): Sou autodidata e filho adotivo de uma família de agricultores sem recursos financeiros. Meu irmão mais velho, percebendo minha evolução no aprendizado, resolveu me dar de presente um livro, o primeiro que ganhei quando tinha aproximadamente 5 anos de idade. O nome é “O Alegre Sapateiro Zé dos Bichos”, que fala sobre o respeito aos animais e o valor da verdadeira amizade. Aquele presente me encheu os olhos e como era o único livro que tinha em casa, fiz a leitura e releitura centenas de vezes.

GS: Qual a sua relação com os livros? Consegue explicar de onde vem essa paixão?

JB: Assim que ingressei na vida escolar, um dos lugares que mais frequentava era a Biblioteca da Escola. Não deixava os colegas e brincadeiras de lado, entretanto não dispensava alguns intervalos de aula para estar na Biblioteca. A escola não dispunha de livros clássicos da literatura, entretanto os professores notavam o meu interesse pela leitura. Dali surgiu meu segundo presente: “COMA”, de Robin Cook. Obviamente não era um livro indicado para minha idade, mas não esqueço as carinhosas palavras da professora Angelina, que ao me entregar o presente disse: “Você é incrível e tenho certeza de que vai entender perfeitamente a história do livro”. Confesso que foi desafiador fazer a leitura, mas aquele segundo presente me impulsionou ainda mais pelo gosto e paixão pela leitura.

GS: Como surgiu a hipótese de fundar a Biblioteca Espaço Digital em http://www.bibliotecaespacodigital.com.br/?

JB: Ter uma Biblioteca era um sonho engavetado de quem sempre gostou de livros, mas que não tinha dinheiro para ter os livros. Mais que ter os livros, buscava companhia para me acompanhar nas visitas à Biblioteca e nas leituras. Ali nascia a necessidade do incentivo a leitura. Percebia que meus amigos e outras pessoas conhecidas não tinham o mesmo interesse que eu tinha pelas letras. Eram leitores eventuais e de material que não passavam de revistas infantis em quadrinhos. Com o passar dos anos, o sonho foi amadurecendo até que se tornou uma realidade. O website está no ar há aproximadamente um ano, levando desde construções literárias clássicas (em e-Book), quanto de escritores não tão conhecidos do grande público, mas que apresentam qualidade inquestionável.

GS: Quais são os objectivos desse website?

JB: O objetivo principal do website é INCENTIVAR A LEITURA levando ao público conteúdo de qualidade e com preços muito acessíveis. Também são encontrados conteúdos acessórios, como cursos online e apostilas de estudos. Existe uma preocupação nossa na formação das pessoas. O estudo e a capacitação pessoal é a porta de entrada para a formação de bons leitores.

GS: E como tem sido a reacção do público?

JB: Tem sido muito positiva. Nossa fanpage no Facebook tem pouco mais de 23 mil  seguidores que recebem constantemente a divulgação dos conteúdos existentes em nosso website, bem como de conteúdos publicados pelo BLOG MUNDO DE LIVROS. Vários deles são assíduos curtindo ou compartilhando nossos posts e conteúdos.

GS: Esse foi o seu primeiro projecto ligado à Literatura?

JB: Sim, a Biblioteca Espaço Digital foi meu primeiro projeto concreto ligado a Literatura. Outros ainda estão por vir, mas que ainda são ideias que precisam de amadurecimento.

João Borges numa entrevista recente no Brasil

GS: Você é formado em Ciências Económicas, mas está lançando um romance baseado em factos reais. Qual foi o seu percurso até chegar aqui?

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JB: O bom é que não posso ser acusado de bigamia por existirem estas duas paixões. (Risos)

Comecei a trabalhar aos quatorze anos como Office Boy em uma grande empresa na minha cidade. Neste ofício era constantemente chamado para realizar serviços de pagamento de contas em agências bancárias. Este foi meu primeiro contato com documentos e com pessoas do ramo financeiro. Minha trajetória profissional evoluiu para a área econômica/financeira da companhia e dali surgiu a necessidade da formação acadêmica na área. Formei em Ciências Econômicas e fiz Especialização em Engenharia Econômica e até hoje trabalho neste ramo.

O tempo dedicado a formação científica na área econômica não fez desaparecer a paixão pelas letras. Da leitura, passei a escrever pequenos textos. Algumas crônicas, alguns poemas, porém todos engavetados. Pouquíssimas pessoas tiveram acesso aos escritos. Meus professores foram algumas dessas pessoas. O desejo de escrever um livro foi crescendo com o tempo, mas não poderia escrever qualquer livro. Tinha que ser algo que pudesse ajudar, construir, agregar coisas boas. Foi quando acompanhei, mesmo que a certa distância, a história de um casal de amigos. A história deles mexeu tanto comigo que incentivei-os a escrever um livro a respeito.

GS: Por que razão você decidiu contar esta história tão forte?

JB: A história deles é a história de muitas famílias, com uma diferença: a forma como eles conduziram suas decisões desde a formação e acompanhamento dos filhos, de como enxergaram os riscos quando estes surgiram, e como encararam a dificuldade transformando momentos de dor em momentos de intensa felicidade é o que mais foi marcante. Tenho convicção de existem muitas pessoas que precisam conhecer a história deles.

GS: Qual a sua missão e principal mensagem que você deseja passar através do livro Nove Meses e Quarenta Minutos?

JB: O livro tem o tema do aborto como um “pano de fundo” da história. Não pretende discutir se é correto ou não a adoção dessa prática, mas deseja levar a reflexão sobre a valorização da vida e da decisão livre, consciente e responsável dos pais acerca das consequâncias que suas deciões podem tomar. Também faz uma reflexão sobre nossas atitudes de resiliência, ou seja, nossa capacidade de transformação de um momento difícil em algo construtivo, fazendo dela (resiliência) uma ferramenta poderosa para uma vida feliz e realizada.

GS: Sabemos que está lançando um crowdfunding em busca do auxílio financeiro para viabilizar o lançamento do livro. Está correndo bem?

JB: De certa forma sim, estamos recebendo apoio da imprensa local na divulgação do trabalho, além do compartilhamento do link da campanha que está sendo feito por amigos e contatos nas redes sociais. Algumas empresas estão apoiando financeiramente, além de doações eventuais de amigos e pessoas que se identificaram com o projeto, entretanto ainda estamos muito longe do objetivo. Temos pouco mais de 4% do total necessário para viabilizar o livro.

GS: Onde e até quando as pessoas podem contribuir?

JB: Nossa campanha vai até o próximo dia 14 de Novembro e as doações podem ser realizadas através do endereço: www.vakinha.com.br/vaquinha/nove-meses-e-quarenta-minutos

Importante dizer que doações podem ser feitas em qualquer valor a partir de R$ 10,00. (Dez reais). No site também é possível enviar sua mensagem de incentivo ou ainda tirar suas dúvidas quanto ao projeto.

GS: Você encara a hipótese de ser escritor a tempo inteiro?

JB: Sim é uma possibilidade e um objetivo. Não é fácil a qualquer escritor viver de Literatura no Brasil, entretanto é uma busca constante aos apaixonados que dedicam a vida às Letras.

GS: Já tem algum novo projecto literário na gaveta?

JB: Sim, já estamos trabalhando em um novo projeto. Ainda está no início, mas está em bom ritmo. Já temos o nome do livro e as primeiras páginas escritas. Agora é hora de desenvolver a história.

GS: A grande maioria dos leitores do Blog Mundo de Livros é de origem brasileira. Você gostaria de deixar uma mensagem especial para eles?

JB: Gostaria de deixar uma mensagem e um pedido. Não temos dúvidas de que o contato com a leitura estimula a construção de ideias, interpretação e formação de opinião. Nossas crianças precisam ser incentivadas, desde a mais tenra idade, a terem contato com a Literatura. A importância dos pais neste processo é fundamental para que tenhamos bons leitores e, por consequância, cidadãos de excelência para a construção de um futuro melhor.

Nosso pedido é voltado a todos, sem distinção, para que incentivem seus escritores. Conhecidos ou não, brasileiros ou portugueses, daqui ou de qualquer lugar. Que todos possamos prestigiar o trabalho daqueles que constroem o produto que servirá para o entretenimento nos seus momentos de stress; de apresentação de ideias ou auxílio nos seus momentos de dúvidas; de companhia nos seus momentos de solidão e de tantas outras finalidades para enriquecer sua existência.

 

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Comments

  • 25 Outubro, 2016

    Excelente entrevista com o escritor João Borges. João Borges, é um cara humilde e motivado. Tem na veia a solidariedade e a paixão pelos livros.

    Parabéns, Gonçalo, pela iniciativa.

    Abraço

    Silvio Vieira

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