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Lello: a livraria mais bela do mundo celebra 110 anos

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Lello: a livraria mais bela do mundo celebra 110 anos

 

Hoje quem passa pela Rua das Carmelitas vê ao longe a grande fila que se acumula à entrada da Livraria Lello. De todo o país e mundo chegam centenas de turistas todos os dias que procuram visitar o interior da livraria, considerando-a um monumento obrigatório caso passem pela cidade durante as férias. Não é difícil perceber o porquê de tanto fascínio e fotografias. Afinal de contas, a arquitetura única da livraria, com a sua janela em vitral e as famosas escadas, torna este lugar um espaço único, algo que é muito mais do que uma loja para comprar livros.

No Mundo de Livros já chegamos mesmo a contar como parece haver uma ligação entre a livraria e o universo de Harry Potter, tendo este espaço inspirado a escritora J. K. Rowling durante o seu processo criativo. Grande percentagem dos turistas que passam pela Lello são exatamente atraídos por esta associação ao mundo potteriano, acreditando que aquele é um pedaço de Hogwarts.

No entanto, a história da livraria Lello remonta há muitos, muitos anos atrás e, em 2016, celebra mesmo o seu 110.º aniversário. Ao longo dos próximos parágrafos vamos contar a história desta livraria portuense e falar um pouco sobre a sua arquitetura única.

Lello: era uma vez uma história sobre dois irmãos

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Esta é uma história que começa com dois irmãos. José e António Lello, nascidos em Vila Ramadas, em Fontes, Santa Marta de Penaguião, decidiram um dia abrir uma livraria. Para cumprir este sonho, José – o irmão mais velho – já se tinha mudado para o Porto, na década de 80 do século XIX. Tratando-se de um homem de letras, apaixonado por literatura e música, foi dele que surgiu em primeiro lugar o desejo de vender livros. O sonho acaba por ser concretizado… mas não com o irmão. Pelo menos não no início. Em primeiro lugar, José abre uma livraria e editora com o seu cunhado, em 1881.

Porém, após a morte do cunhado, José vê-se de novo sozinho no negócio. É então que António, o seu irmão mais novo, se junta a ele para criar a José Pinto de Sousa Lello & Irmão.  Com uma relação muito próxima, os dois irmãos cedo se tornaram membros da burguesia portuense, frequentando os círculos mais altos da intelectualidade da época. Com um espírito progressista tornaram-se conhecidos apoiantes da ideologia republicana que se veio a instaurar em Portugal no ano de 1910.

Inicialmente, a livraria Lello estabeleceu-se na Rua do Almada, a alguns quarteirões de onde se viria a fixar. Por esta altura, a Lello e Irmão caracterizava-se por uma forte paixão pela cultura, um entusiasmo que deu lugar a edições especiais e limitadas de livros com colaborações de importantes artistas como ilustradores e pintores.

Mas eis então que, em 1894, José Pinto de Sousa Lello dá então um passo para aumentar a sua livraria: compra a Livraria Chardron e todo o sue recheio. Ainda que, por essa altura, não fosse já propriedade do francês Ernesto Chardron, foi ele quem deu reputação ao estabelecimento tendo inclusive publicado as primeiras edições de obras de grande escritores como Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco.

Com este investimento significativo, a livraria dos irmãos Lello muda-se então para o edifício na Rua das Carmelitas que foi devidamente adaptado pelo arquiteto Francisco Xavier Esteves. Em 1906, a livraria abre-se até ao público, com um aspeto renovado e um design que apelava diretamente à imaginação do público e que rapidamente fez da Lello um ex-libris do neogótico portuense.

A fachada apresenta um arco abatido de grandes dimensões, com entrada central e duas montras laterais. Acima, três janelas rectangulares ladeadas por duas figuras pintadas por José Bielman, representando a “Arte” e a “Ciência”. Uma platibanda rendilhada remata as janelas, terminando a fachada em três pilastras encimadas por coruchéus, com vãos de arcaria de gosto neogótico. A decoração é complementada por motivos vegetais, formas geométricas e a designação Lello e Irmão, sob as janelas. Em 2016, a fachada do edifício foi restaurada, de forma a colmatar algumas falhas que resultaram do desgaste e passagem do tempo.

 

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