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Leon Tolstoy: o homem sem jeito para nada, excepto para as letras

Leon Tolstoy: o homem sem jeito para nada, excepto para as letras

 

Corria o ano de 1828 quando nasce Leon Tolstoy, num local chamado Yasnaya Polyana. Não, este não é o nome de uma cidade ou vila provinciana russa, mas sim o nome da propriedade da família Tolstoy, em Tala. Sendo o mais novo de quatro rapazes, não se pode dizer que a infância do pequeno Leon tenha sido fácil. Dois anos após o seu nascimento, a mãe morreu. Apenas sete anos depois acontece a morte do pai, que deixa assim os filhos entregues à tutela de uma tia que vivia em Kazan.

Em jovem, Tolstoy recebeu a sua educação em casa, às mãos de tutores franceses e alemães. Mais tarde, tentou a sua sorte num curso de línguas orientais, mas após sucessivos fracassos e más notas, pediu transferência para um curso de Direito. Em 1847, incapaz de terminar o curso (principalmente devido à vida boémia que levava) decidiu regressar à propriedade onde nasceu e dedicar-se à agricultura.

Nem aqui teve sucesso. Apesar de tentar liderar os criados e os agricultores que trabalhavam para ele, deixava frequentemente a gestão da propriedade para prestar visitas sociais a Moscovo e a Tula. Porém, há que destacar que o russo tinha sucesso em pelo menos uma coisa: o diário que escrevia, e que o acompanhou ao longo de toda a vida, inspirando muitas das suas histórias.

Durante o período em que tentava a sua sorte com a agricultura, uma visita do seu irmão Nikolay foi suficiente para o convencer a juntar-se ao exército, aventura que culminou com a participação na Guerra da Crimeia entre novembro de 1854 e agosto do ano seguinte. É nesta altura que, aproveitando tempos livres, passa para o papel algumas das memórias da sua infância e relatos do seu dia-a-dia na frente de guerra no Cáucaso.

Terminada a guerra, segue-se um período por Paris – onde apostas e vícios deixam Leon Tolstoy perto da bancarrota – e, por fim, o regresso à Rússia. Estamos então em 1862 quando publica partes do seu diário e casa com a filha de um médico, Sofya Andreyevna Bers.

O casamento de Tolstoy e os anos de escrita em Yasnaya Polyana

A vida de casado marca um novo capítulo na vida de Leon Tolstoy. Instalado com a esposa em Yasnaya Polyana, o autor russo dedica-se de corpo e alma à sua escrita, dedicando grande parte da década de 1960 à escrita de Guerra e Paz, a sua obra-prima. Traçando um relato detalhado às Guerras Napoleónicas, vividas a partir dos olhos de personagens fictícias com uma densidade psicológica arrebatadora, o livro publicado em várias partes conquistou a atenção de críticos e do público geral.

Segue-se o segundo maior trabalho do escritor, e ainda hoje considerado como o maior romance de todos os tempos, Anna Karenina. Neste livro, situado cronologicamente no período em que Rússia estava em guerra com a Turquia, seguimos a história de uma mulher casada que abdica da reputação para manter um caso extraconjugal. A personagem de Levin é frequentemente comparada ao próprio Tolstoy, especialmente pelo seu percurso profissional e amoroso.

 

Nos últimos 30 anos da sua vida, Tolstoy estabeleceu-se como um líder moral e religioso, defendendo ideais de resistência não-violenta. Entretanto, foi também por esta altura que o autor recebeu o reconhecimento internacional. Em 1910, na sequência de várias discussões com a sua esposa, que não aprovava algumas das filosofias de vida do marido e alguns dos discípulos que frequentava a casa da família, Tolstoy partiu numa peregrinação com a sua filha Aleksandra. De forma a manterem-se longe da imprensa, que o perseguia desde que tinha alcançado sucesso a nível internacional, viajou com uma identidade falsa.

Infelizmente, Tolstoy não sobreviveu à viagem e acabou por morrer cerca de um mês depois de ter deixado a propriedade da família. É na casa do responsável pela estação de comboios de Astapovo que falece um dos maiores escritores de sempre, após ser acolhido para aquela que se esperava ser uma breve paragem. Pouco depois, o russo é sepultado em Yasnaya Polyana. Para contar a sua história ficou a esposa, os 10 filhos do casal e os muitos registos autobiográficos que passou para o papel ao longo da sua vida.

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