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4 línguas fictícias criadas de propósito para livros (e não só)

4 línguas fictícias criadas de propósito para livros (e não só)

 

Ao longo da literatura, especialmente no género de fantasia e ficção científica, muitos autores sentiram-se na necessidade de criar línguas específicas para certas raças e povos. Porquê? Não é difícil dar resposta a essa pergunta. A língua faz parte da cultura de qualquer pessoa e diz muito sobre ela, ajudando a demarcar diferentes grupos.

Em O Senhor dos Anéis, por exemplo,as línguas são usadas como marcas distintivas das diferentes raças que partilham o território da Terra Média. Existe o alfabeto élfico, composto por runas desenhadas cuidadosamente por Tolkien, e que é usado de diferentes formas para a criação de dialetos para diferentes grupos de elfos e até mesmo para os terríveis orcs de Mordor.

Mais recentemente, fomos introduzidos ao dothraki, uma língua ‘criada’ por George R. R. Martin e que é hoje estudada por centenas de fãs da série literária e televisiva. Se reparou nas aspas na frase acima, não fique a pensar que foi por mero acaso. Quando digo que foi George R. R. Martin a criar a língua dothraki, refiro-me apenas ao conceito. O próprio autor admitiu que, enquanto escrevia os livros, só criou realmente meia dúzia de palavras à medida que ia precisando delas. Toda a linguagem que hoje conhecemos foi criada pela equipa de produção da série televisiva Game of Thrones.

E, já agora, falemos também de George Orwell que, em 1984, nos apresenta a Novilíngua, o idioma formulado pelo regime do opressor Big Brother que detém controlo sobre uma grande fatia do mundo e procura introduzir uma língua automatizada que não obrigue a pensar.

Neste post, falamos assim de línguas fictícias, contamos como é que surgiram e qual a técnica usada em algumas delas. Para demonstrarmos estas línguas, decidimos usar excertos das adaptações cinematográficas/televisivas dos livros, para que possa assim ouvir estas palavras sem sentido e assistir à forma como os atores executam tão bem a língua.

As muitas línguas da Terra Média

J. R. R. Tolkien criou muito mais do que a história d’O Senhor dos Anéis. O autor britânico foi mais longe e fundou todo um universo de raiz, relatando o momento em que os Deuses criaram a existência até aos anos que se seguiram à destruição do Anel de Sauron. Porém, uma das partes mais ardilosas do exímio trabalho de Tolkien foi a construção de não umas mas sim de várias línguas.

Durante o seu período na King Edward’s School, em Birmigham, começou a construir o idioma mais importante da sua obra: o élfico. Até ao ano da sua morte, em 1973, trabalhou exaustivamente nesta língua inventada, desenvolvendo a sua história, gramática e distinguindo diferentes dialetos.

Ao longo dos anos, Tolkien explicou várias vezes porque razão se importava tanto com a criação de diferentes idiomas. Para o autor, a criação de um idioma tornava a história mais convincente e agradável, uma vez que refletia a história daqueles que a falavam e a sua própria mitologia.

Dothraki

Hoje, o site Tongues of Ice and Fire dedica-se à análise de várias linguagens criadas por George R.R. Martin, desde o Dothraki usado entre o povo selvagem até à língua esquecida do Alto Valiriano. O interesse é tal que há mesmo quem pague para se inscrever num curso e aprender a língua.

 

No entanto, o que a maioria dos fãs não sabe é que George R.R. Martin só criou sete palavras do popular idioma Dothraki, isto, claro, pondo de lado os nomes de algumas personagens. A necessidade de criar uma linguagem a sério, com mais de 4 mil palavras, só surgiu quando a série da HBO começou a ser produzida.

Por essa altura, David J. Petersen foi contratado para explorar a língua de forma a que fosse falada pelas personagens. Assim, começou por analisar cada uma das palavras dothraki apresentadas no livro, assim como os nomes das personagens e foi percebendo que todas elas tinham um som comum.

Serpentês

Em Harry Potter e a Pedra Filosofal, somos introduzidos ao Serpentês, a língua das serpentes. Esta é uma das raras vezes em que um escritor cria uma língua específica para um ser humano falar com outro animal. No entanto, na saga do rapaz feiticeiro, não é possível aprender a falar esta língua: dominar serpentes é quase como um dom, algo que nasce com a pessoa e que por vezes pode ser visto como uma herança amaldiçoada.

Nos livros, descobrimos que Harry Potter é capaz de falar com serpentes. Porém, este que seria um poder muito interessante, serve apenas para levantar suspeitas sobre o protagonista da história. O que se passa é que por esta altura acontecem misteriosos ataques na escola de Hogwarts, provocados pelo herdeiro dos Slytherin… que supostamente conseguiria falar com cobras. Mas não, Harry Potter não é o vilão da história e, no fim, o serpentês até acaba por dar jeito.

Novilíngua

Em 1984, de George Orwell, somos introduzidas à Novilíngua. Trata-se de um idioma imposto pelo regime totalitário que governa sobre o mundo, num suposto futuro distópico após a Segunda Guerra Mundial. O objetivo desta língua, como percebemos à medida que somos introduzidos a novas palavras, é bloquear a liberdade de expressão e até mesmo de pensamento.

A língua é explicada ao detalhe nos capítulos 4 e 5 do livro e merece também especial atenção no anexo que se encontra no final. Com uma construção gramatical muito semelhante à do Inglês, a Novilíngua demarca-se por ser extremamente restritiva. Sinónimos e antónimos não são necessários e devem por isso ser banidos da língua.

 

 

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Comments

  • John
    16 Setembro, 2016

    não é serpentês, e sim Ofidioglosia !

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