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A livraria mais bonita do mundo é uma catedral

A livraria mais bonita do mundo é uma catedral

 

Será que estamos a perder a fé?

Apesar de ser uma pergunta pertinente, esse é um assunto que não é para aqui chamado mas que lança sem dúvida o assunto a abordar no artigo. Na Holanda, um país conhecido pela sua mente aberta, a religião deixou de representar um papel tão importante como acontecia há alguns anos atrás. Na verdade, existem até mesmos estudos que apontam que, além da Holanda, também países como a Austrália, Áustria, Irlanda e Suíça encaram uma espécie de crise espiritual, que pode culminar na extinção da própria religião nestes países.

Mas calma. Retomando à situação da Holanda existe outro dado interessante: se analisarmos os censos colhidos desde o século XIX, constatamos que há cada vez mais holandeses a afirmar não ter religião. O mesmo estudo que analisou os censos acredita que até 2050 cerca de 70% da população holandesa se torne ateia.

Isto, como seria de esperar, resulta no encerramento de igrejas por todo o país. Embora os edifícios possam ser demolidos para se aproveitar o espaço ocupado, há quem lamente a perda de trabalho arquitetónico de anos.

Assim, porque não fazer das catedrais e igrejas novos espaços? Foi exatamente essa a ideia que motivou o antigo grupo literário Boeakhandel Groep Nederland em abrir de novo as portas de uma catedral com mais de 700 anos para criar aquela que é hoje a livraria mais bonita do mundo.

Livraria mais bonita do mundo: as muitas vidas da catedral

Uma catedral, onde não é praticada missa há mais de duzentos anos, abre portas e ressuscita com o mesmo corpo mas uma nova alma: é agora uma livraria. Nas suas estantes, encontramos best-sellers, livros técnicos e até mesmo bíblias e livros religiosos.

Localizada bem no coração do centro histórico de Maastricht, a igreja/livraria Selexyz tornou-se rapidamente num local de culto. Se antes era um destino de peregrinação, tornou-se agora um marco cultural, não ajudasse o título de a livraria mais bonita do mundo a divulgar a sua fama pelos jornais internacionais.

 

Com uma arquitetura gótica e tetos pintados com frescos, aquela que é hoje a livraria mais bonita do mundo chegou a ser usada, em tempos, pelo próprio Napoleão Bonaparte, como um armazém para guardar provisões. Até então, tinha estado nas mãos de uma ordem franciscana, mas os frades foram expulsos pelo exército napoleónico. Esse viria também a abandonar o espaço, que seria então usado como armazém, arquivo e, mais tarde, como garagem para bicicletas.

No entanto, em 2005, quando caiu nas mãos de um grupo de arquitetos modernos, a catedral voltou a sofrer uma nova mudança, talvez uma das mais importantes desde a sua fundação em 1294. Os arquitetos viram na catedral, com as suas três naves, algo mais do que uma mera igreja. Após discussões e rascunhos, decidiram acrescentar uma estrutura de três andares, com estantes, às paredes da igreja. E assim nasce a livraria mais bonita do mundo.

Apesar de algumas polémicas relativas ao facto da bíblia condenar o comércio em Igrejas (relembramos que no texto sagrado o próprio Jesus expulsa com violência mercadores que se fixaram à porta do templo) a livraria mais bonita do mundo continua ativa.

 

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