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Luis Sepúlveda: do socialismo à prisão, do erotismo aos romances

Luis Sepúlveda: do socialismo à prisão, do erotismo aos romances

 

O nome de Luis Sepúlveda é sem dúvida um dos mais importantes da literatura latina contemporânea. Nascido a 4 de outubro de 1949, em Ovalle, uma pequena aldeia no Norte do Chile, a história de Sepúlveda começa com uma outra história: o amor dos seus pais era condenado pela sociedade. O casal, sendo menor de idade, tinha fugido de casa, o que implicou uma dramática perseguição da família e autoridades. É nesta situação de fuga e desequilíbrio que nasce Luis Sepúlveda, numa humilde estalagem onde o casal se tinha refugiado!

Eventualmente, o chileno começou a escrever, mais ou menos pela altura em que frequentava o Liceu de Santiago do Chile. Por muito estranho que possa parecer, a estreia de Luis Sepúlveda no universo das letras aconteceu com contos pornográficos e não com as habilidosas e sensíveis histórias que nos habituou anos depois. Em rapaz, copiava à mão a pornografia literária que escrevia e vendia-a aos seus colegas na escola para fazer algum dinheiro. Em 1964, quando tinha cerca de 16 anos, tornou-se militante da Juventude Comunista Chilena.

Entretanto, poemas e contos sobre assuntos mais sérios foram surgindo a partir da ponta da sua caneta. O ano em que faz 20 anos é marcado pela publicação de uma compilação de contos, intitulada Crónicas de Pedro Nadie, que lhe garante o Prémio Literário da Casa das Américas. Interessado pelo mundo do espetáculo, termina em 1970 uma formação em Encenação Teatral, uma atividade que foi exercendo ao longo da sua carreira. Ainda no início da década de 70, divide o seu tempo entre a escrita, a política e eventualmente a direção de uma cooperativa agrícola e a locução de programas de rádio.

Luis Sepúlveda: Prisão, exílio na Suécia e escrita

Torna-se parte do Partido Socialista chileno em 1973, procurando envolver-se mais na esfera política. Tal afiliação ascendeu ao ponto de se tornar parte da segurança pessoal de Salvador Allende, o fundador do partido e Presidente do Chile. É a partir  do exercício deste cargo que assiste à chegada do General Augusto Pinochet ao poder, momento histórico e marcante para a história do Chile, que resultou na instauração de uma ditadura e na perseguição imediata aos partidos de esquerda.

Luis Sepúlveda é então preso e julgado em fevereiro de 1975, sob a acusação de traição à pátria e conspiração subversiva, entre outros crimes. A sentença de morte era, por esta altura, uma punição pouco habitual para este tipo de casos. O escritor,  tal como tantos outros prisioneiros socialistas, é encarcerado no estabelecimento prisional político em Temulo, para cumprir uma sentença de 28 anos.

Em 1977, dois anos depois da condenação, a pressão da Amnistia Internacional permite a saída da prisão: a sentença de Luis Sepúlveda é aliviada para 8 anos e comutada para um exílio na Suécia. É assim que, exilado na Europa, regressa à escrita que já tinha marcado o início da sua carreira. O seu primeiro romance O Velho que Lia Romances de Amor é publicado em 1989 e revela-se um sucesso internacional imediato. Na página da dedicatória, surge o nome de um amigo que foi assassinado pelo regime do ditador chileno.

Desde então, Luis Sepúlveda continuou a escrever obras marcantes, como Diário de um Killer Sentimental, História de uma Gaivota e do Gato que A Ensinou a Voar ou As Rosas de Atacama, revelando ser um narrador original de histórias que integram viagens, aventuras, humanidade e sonhos. O regresso à terra natal só aconteceu 16 anos depois da sua libertação. As suas obras mais recentes têm tido como cenário de fundo o Chile.

Pode encontrar todas as obras de Luis Sepúlveda na Amazon ou na Fnac

 

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