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A biblioteca de Marcelo Rebelo de Sousa que está aberta a todos

A biblioteca de Marcelo Rebelo de Sousa que está aberta a todos

 

Marcelo Rebelo de Sousa dispensa qualquer tipo de apresentação. Pelo que tem feito ao longo da sua vida política, académica e social tornou-se uma referência em todo o país (e até mesmo fora dele). Até há pouco tempo, apareceu assiduamente em noticiários televisivos, sempre pronto a comentar a atualidade política, social e cultural do país e do mundo.

Agora faz de novo parte dos noticiários mas desta vez passa de comentador a notícia: no dia 7 de fevereiro os portugueses foram às urnas para eleger um novo Presidente da República e não houve margem para dúvidas. Marcelo Rebelo de Sousa é o homem que vem substituir Cavaco Silva no Palácio de Belém.

Se há coisa que Marcelo Rebelo de Sousa nunca escondeu do público foi a sua paixão pelos livros. Os telespectadores que seguiram os seus comentários com regularidade sabem que o comentador costumava encerrar com a apresentação de algumas sugestões literárias. Alguns até perguntam: como é que ele consegue ler tantos livros numa semana?

Em várias entrevistas aos media Marcelo Rebelo de Sousa confessou que o seu interesse pelos livros é algo que preza desde criança,  época em que terá começado a criar a sua biblioteca pessoal. Hoje, no entanto, quem passar por Celorico de Basto – de onde Marcelo Rebelo de Sousa é natural – pode visitar uma biblioteca que conta maioritariamente com os livros que juntou ao longo dos anos. O professor admite, aliás, que esta sempre foi a sua ideia.

Aquando da inauguração da Biblioteca Municipal de Celorico de Basto, em Junho de 2001, Marcelo Rebelo de Sousa, que era então Presidente da Assembleia Municipal, decidiu doar parte dos livros do seu espólio literário. Por essa altura, a sua blioteca pessoal devia contar com mais de 33 mil volumes. Assim, ao doar alguns deles, estava não só a promover o enriquecimento cultural de Celorico de Bastos como a libertar espaço nas suas prateleiras.

A ligação à terra que o viu nascer e o entusiasmo pelo que de novo e notável tem vindo a ser feito, fez com que tomasse a iniciativa de dar o seu contributo a uma biblioteca ainda recente e que, certamente, ficou mais rica. Todos os anos o Professor continua a enviar novas remessas de livros para a Biblioteca Municipal. Estima-se até que, dos 170 mil documentos da biblioteca, mais de 140 mil tenham sido doados por Marcelo Rebelo de Sousa.

Marcelo Rebelo de Sousa e a sua paixão de longa data

Desde sempre que Marcelo Rebelo de Sousa tinha como objetivo doar os 33000 volumes que compunham a sua biblioteca pessoal a “uma instituição que garantisse o seu adequado tratamento e a sua efetiva disponibilização ao público leitor, nomeadamente jovem”, fez saber.

 

Pelo apego que ganhou à Biblioteca Municipal, o Professor conseguiu finalmente pôr a sua ideia em prática e espera continuar a fazê-lo até ao fim da vida “se Deus me der vida e saúde por mais uns consideráveis anos”, salientou, na altura em que fez a primeira doação à biblioteca, em 2001.

A sua paixão pelos livros começou entre os sete e os oito anos, mas foi aos 14 que iniciou o seu percurso pelos leilões, nomeadamente os de Arnaldo de Oliveira e o Príncipe Real, percorrendo ainda livrarias e alfarrabistas. Estavam dados os primeiros passos para o verdadeiro espólio de que Marcelo é detentor. Como Professor Universitário e, posteriormente, como comentador na rádio e na televisão, as ofertas nunca deixaram de chegar.

No entanto, antes mesmo de ter decidido doar algumas das suas obras a Celorico de Basto, o seu vasto património já se tinha dispersado por outros destinatários, entre eles amigos, familiares e assistentes. “Não que não o merecessem, mas, assim, distribuí, entre os anos 80 e 90, quase 18000 volumes. E não falo daqueles que – a justo título, guardei para os mais próximos, para a Rita e os meus filhos Nuno e Sofia. Talvez uns 2000, alguns deles mais especiais pelo seu valor estimativo no plano pessoal”, enfatizou.

“Uma biblioteca é a obra de uma vida”

Tal como Marcelo Rebelo de Sousa existem outras figuras públicas que têm, de igual modo, uma grande diversidade de obras literárias em casa. Talvez por isso o professor concorde que iniciativas como estas deveriam existir cada vez mais, “até porque não posso esquecer o choque que tive ao ver descendentes de grandes bibliófilos leiloarem espólios literários dificilmente reconstituíveis”, esclareceu.

De todas as obras que possui, dois dos núcleos que lhe são especiais dizem respeito à História Política Portuguesa, particularmente dos séculos XIX e XX e ao Direito, especialmente Direito Público. Contudo, “e ao longo de quase meio século, fui cultivando interesses variados, enriquecidos por recentes alargamentos a novas temáticas. Isto tendo sempre presente que uma biblioteca não é obra de um mês ou um ano, é obra de uma vida”, concluiu

Além das obras que saem da sua biblioteca pessoal para a de Celorico de Bastos, Marcelo Rebelo de Sousa costuma aconselhar a autarquia no momento de fazer novas aquisições. Tais conselhos já foram revertidos, por exemplo, na aquisição da primeira edição de A Mensagem, de 1934 e autoria de Fernando Pessoa; uma edição de bolso d’Os Lusíadas, datada a 1823; e a volumes ilustrados de D. Quixote de la Mancha.

 

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