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Mário de Sá-Carneiro: o poeta jovem que partiu cedo demais

Mário de Sá-Carneiro: o poeta jovem que partiu cedo demais

 

Em 1915, com a publicação da primeira revista literária Orpheu, dá-se início à chamada Geração d’Orpheu – um grupo responsável pela introdução do Modernismo nas artes e letras portuguesas. Deste grupo, como devem saber, fizeram parte personalidades como o poeta Fernando Pessoa, os pintores Amadeo de Souza Cardoso e Almada Negreiros e ainda o poeta e contista Mário de Sá-Carneiro.

Cada um destes nomes contribuiu para a Arte Moderna da forma que pode, expressando o seu talento e criatividade. Ao relembrarmos esta época é muito comum lembrarmo-nos logo de Fernando Pessoa e Almada Negreiros – os nomes mais sonantes desta época. No entanto, neste post falamos não de Fernando Pessoas mas de um amigo que lhe era próximo e que com ele dirigiu a primeira edição da revista Orpheu: Mário de Sá-Carneiro.

Nascido em 1890, no seio de uma família abastada da alta burguesia portuguesa, Mário de Sá-Carneiro ficou órfão de mãe com apenas dois anos. Em criança, foi educado pelos avós, mudando-se para Camarate, nos subúrbios da capital. É por volta dos doze anos que começa a demonstrar um interesse para se expressar criativamente através das letras, começando a escrever poesia e a traduzir Victor Hugo, Goethe e Schiller.

Em 1911, já com vinte e um anos, termina o liceu e muda-se para a cidade de Coimbra para estudar Direito. No entanto, a experiência não correu bem e não chegou sequer a terminar o primeiro ano de estudos. No ano seguinte conhece então Fernando Pessoa, que se viria a tornar seu amigo.

Nesse mesmo ano decide trocar a capital pela cidade de Paris, ainda com a intenção de continuar os estudos. Inesperadamente, o seu percurso académico desviou-se para uma vida boémia, passada entre cafés e salas de espetáculo e que não tardou a levá-lo à ruína financeira. Ainda assim é perante este contexto que desenvolve a maior parte do seu trabalho artístico enquanto poeta e escritor.

A carreira literária de Sá-Carneiro, ainda que curta, foi longa o suficiente para nos deixar uma coleção de obras literárias. O escritor, que escreveu poesia, ficção e contos, escreveu as peças de teatro Amizade, com Tomás Cabreira Júnior, e Alma, com António Ponce de Leão. À sua bibliografia somam-se três livros de ficção, Princípio (novelas), Céu em Fogo (novelas), e A Confissão de Lúcio (romance). E não podia faltar também o trabalho poético: Dispersão e Indícios de Oiro, este último publicado postumamente.

Nas suas obras, a sua voz poética e as personagens de ficção frequentemente apresentam um sujeito originário de um contexto semiperiférico — Portugal e o espaço cultural de língua portuguesa — que experiencia a vivência duma metrópole central, europeia e capitalista — Paris.

 

Durante algumas visitas que fez a Portugal, conheceu Almada Negreiros e, com Fernando Pessoa, integrou o primeiro grupo modernista português, responsável pela edição da revista literária Orpheu (e que por isso mesmo ficou sendo conhecido como a Geração d’Orpheu).

A contribuição de Mário de Sá-Carneiro para o movimento modernista e de vanguarda é atualmente objeto de interesse internacional, como se percebe pela grande quantidade de colóquios e publicações internacionais nos anos recentes, existindo mesmo um novo website que visa contribuir para divulgar o seu trabalho.

A maior parte da correspondência que trocou entre 1912 e 1916 encontra-se disponível no site Mário Sá-Carneiro Online, para consulta por todos os utilizadores.

Em 1915 o poeta começou a demonstrar sinais de depressão e angústia, principalmente através de cartas que escrevia a Fernando Pessoa e onde sublinhava que se sentia perdido no “labirinto de si próprio”. Esta depressão acaba por vencer, em 1916, quando Sá-Carneiro se suicida no Hotel de Nice, em Paris, com apenas 25 anos.

 

 

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