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O alfarrabista por detrás da livraria MBooks

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O alfarrabista por detrás da livraria MBooks

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Se costuma passar com frequência na estação de metro da Trindade, no Porto, ou até mesmo na estação de Santa Apolónia, em Lisboa, é provável que já tenha passado pela tenda da MBooks.

Trata-se de uma livraria com um espírito ligeiramente diferente: vende livros usados, a preços baixos e está fora dos locais tradicionais de comércio. Porém, está onde é preciso estar: em pontos por onde passam diariamente milhares de pessoas a precisar de uma história. O próprio nome do MBooks provém da palavra Metro, o serviço ferroviário de transporte público da capital e da Invicta.

Neste post, vamos conhecer um bocadinho melhor o homem que está por detrás da MBooks e que, de tal forma apaixonado pelo mundo da literatura, mesmo sem ter a quarta classe, construiu um pequeno império literário de livros usados.

MBooks: livros usados por todo o país

A MBooks é de tal forma famosa que já atraiu “famosos”. Numa entrevista que deu à revista Sábado, José Teixeira Cardoso – o fundador da MBooks – contou que até Marcelo Rebelo de Sousa – o nosso atual Presidente da República e assumido leitor – não resistiu a comprar uns quantos livros, por impulso, há cerca de 10 anos. Nesse dia, José Teixeira Cardoso estava na Alameda da Universidade de Lisboa, junto à faculdade de Direito onde Marcelo dava aulas, a vender livros usados numa tenda.

Em menos de uma hora, fechou negócio: oito sacos cheios por cerca de 100 euros. Carregou-os com um colega até ao carro de Marcelo, estacionado na garagem da Faculdade. Noutra ocasião, vendeu-lhe uma pilha de livros por um valor semelhante, mas dessa vez na Avenida de Berna. Eram tantos livros e tão pesados que o professor pediu ao livreiro para que os transportasse até à igreja mais próxima, a de N. Sra. De Fátima. Marcelo foi buscá-los mais tarde.

Em setembro de 2016 espera lançar-se à estrada com uma carrinha remodelada e mil livros na bagagem.  “Alguns colegas já me chamaram Rei dos Livros. Sou um bocado caixeiro-viajante”, disse José Teixeira em entrevista à revista Sábado. Além das feiras do livro que vai organizado, tem quatro pontos de venda fixos – também está nas estações de Santa Apolónia, em Lisboa, e em Campanhã e no metro da Trindade, no Porto. Às livrarias somam-se dois quiosques em centros comerciais. Cartazes a anunciar promoções estão por todo o lado. Por vezes há até mesmo raridades editoriais entre as estantes!

Além de alfarrabista, a MBooks também é editora. Porém, funciona sobretudo como outlet em zonas de grande movimento. Nascida há uma década, tem 30 funcionários, nove tendas e vende 250 mil exemplares por ano. O livreiro-editor-construtor (porque as tendas são da autoria dele) chegou aqui depois de um historial de vendas porta a porta e na construção civil. Começou com 7 anos a ajudar o pai, negociante de farinha para padeiros. A família vivia próximo de Lamego, sem grandes perspetivas para o futuro. Porém, o cenário escureceu consideravalmente quando diagnosticaram um hematoma no crânio do pai. “Procurou um curandeiro que lhe disse que não podia ajudá-lo e que devia ir ao médico”, contou à Sábado.

José, os pais e as quatro irmãs mudaram-se então para Lisboa, em busca da cura para a doença, mas não havia dinheiro para pagar os bilhetes de comboio a todos – tinham-se endividado com os tratamentos. As quatro irmãs e os pais mudaram-se primeiro, deixando José  ao cuidado de uma tia. O jovem fez a viagem no ano seguinte.

MBooks: o percurso de José Teixeira

Quando chegou à capital, mal sabia ler mas já transportava água e fazia serventia a pedreiros. De manhã, ajudava a família a construir a casa na Brandoa; à tarde, ia para a escola. Tinha por esta altura 11 anos. “Aos 17, sabia fazer uma vivenda”, aos 18 fugiu para França para escapar à guerra – andou a monte, com sete homens, durante 15 dias, comeu apenas chocolate e viu gente morrer de cansaço.

Um ano depois de chegar a Paris, foi apanhado pela polícia e recambiado para Tancos, onde cumpriu serviço militar como páraquedista. Voltou para a construção civil em França até sofrer um acidente de trabalho que o deixou com graves problemas de coluna e incapacitado: esteve três meses de cama e dois anos de baixa.

De volta a Portugal pensou ser taxista mas o alvará era muito caro. Então virou-se para as vendas: às terças e quintas corria os minimercados para distribuir bolos secos e tortas de uma fábrica no Catujal; de segunda a sexta entregava enciclopédias ao domicílio. Depois vieram os livros.

Em 1985, José Teixeira Cardoso funda o Sistema J em Lisboa. A empresa direccionou-se para a venda de livros porta a porta e, apesar de se apresentar como uma pequena/média empresa familiar, não tardou a conquistar o seu lugar no mercado.

Em poucos anos foram abertas filiais por todo o país e angariadas mais de 200 vendedoras. A ambição e a seriedade sempre foram os valores mais altos desta empresa, daí em 1990 ter dado o passo para o mercado de edição e distribuição.

 

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