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E se os médicos receitassem livros de auto ajuda em vez de medicamentos?

E se os médicos receitassem livros de auto ajuda em vez de medicamentos?

 

Receitar um ansiolítico ainda não é o mesmo que receitar um livro, mas só porque o último não exige um papel com a assinatura do médico. De resto, é tudo igual. Pelo menos é esta a premissa da ideia que arrancou em Abril de 2016 e parte da campanha Reading Well for Young People (Ler bem para gente jovem), em Inglaterra.

Membros do Royal College of Psychiatrists, da Mental Health Foundation e da Public Health England ajudaram a criar a lista de 35 títulos que incluem histórias reais, livros de auto-ajuda e outros, de ficção. Isso quer dizer que, agora, médicos de clínica geral, psicólogos ou enfermeiros podem recomendá-los… em vez de medicamentos!

Na verdade, os livros servem para complementar outros tratamentos e terapias mas nunca para substituir os anteriores, lembra a The Reading Agency (agência da leitura). A iniciativa é da organização solidária que acredita que é possível viver melhor através das histórias. “A missão é inspirar as pessoas a lerem mais, encorajá-las a partilharem o seu gosto pela leitura e a celebrarem a diferença que faz nas nossas vidas”, explicou à revista Sábado a directora criativa deste projeto, Debbie Hicks.

Na Grã Bretanha, um em cada 10 jovens tem um problema mental diagnosticado e há cada vez mais adolescentes deprimidos, lembra a organização. Por isso, as sugestões de leituras são indicadas para problemas específicos como o bullying, a ansiedade ou o stress, o comportamento obsessivo-compulsivo e distúrbios como o autismo e outros desequilíbrios alimentares ou de imagem e auto-estima.

 

Livros que são medicamentos para aumentar a baixa auto-estima

The Perks of Being a Wallflower (As Vantagens de Ser Invísivel) de Stephen Chbosky, por exemplo, é indicado para a ansiedade. A história é narrada por um rapaz introvertido e segue as suas inquietações enquanto tenta descobrir quem é. “Dá uma perspetiva do mundo dos jovens, das suas ansiedades e problemas de baixa auto-estima”, adianta Debbie Hicks. Aumentar o conhecimento, desenvolver a empatia e aprender a ser resistente é o que um livro bem escolhido pode fazer.

As leituras podem ser recomendadas por profissionais de saúde mas também estão disponíveis online para os pais ou para qualquer jovem que procure ajuda sozinho. Os livros levantam-se de forma gratuita nas bibliotecas públicas que se associaram à iniciativa.

Este não é um projeto totalmente novo para a Reading Agency, que tem ajudado adultos com doenças mentais e demência. Desde 2014 que este projeto já terá chegado a meio milhão de pessoas. Num inquérito recente, com uma centena de indivíduos consultados, foi possível concluir que a iniciativa teve bons resultados: 90 por centro admitiu ter achado a leitura proveitosa, enquanto para 75 por cento o livro ajudou a gerir melhor as dificuldades da sua condição. Foram os pacientes com demência quem mais recorreram à iniciativa: as requisições de livros aumentaram 346 por cento.

 

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