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Mick Rock: este foi o homem que mais fotografou a música nos anos 70

Mick Rock: este foi o homem que mais fotografou a música nos anos 70

 

Se pensarmos bem, há muito mais na música para além da música propriamente dita. Quem é que não associa certas bandas e até mesmo músicas a fotografias icónicas dos artistas e às capas dos álbuns? Numa década onde a imagem provou ser tão importante como os acordes badalados do rock, ergueram-se algumas das maiores lendas da música rock e um homem esteve lá para assistir à história (e fazer história).

Mick Rock, um fotógrafo de origem britânica, é hoje relembrado como o homem que fotografou os anos 70 e tal título não lhe é atribuído por mero acaso. A lente da sua câmara fotográfica capturou muitas das imagens que deram lugar aos posters ainda hoje pendurados em quartos e a capas de álbuns que farão para sempre parte da história da música. À sua frente, fizeram pose artistas como David Bowie, Syd Barret, Lou Reed e os Queen.

Neste post, conhecemos este homem que fotografou grande parte da história do rock nos últimos quarenta anos.

Quem fez pose para Mick Rock?

Pode parecer até irónico (ou talvez tenha sido mesmo uma brincadeira do destino), mas Rock não é nome artístico para o fotógrafo Mick Rock, mas sim o seu verdadeiro apelido. Sorte no apelido, teve ainda mais sorte ao pegar na máquina fotográfica de um amigo, no final dos anos 60, quando em Inglaterra se inventava o futuro do rock.

Estudante de literatura em Cambridge, não passou muito tempo até Mick Rock travar amizade com outro excêntrico do campus, um tal de Syd Barret, que viria mais tarde a fundar os Pink Floyd. Os primeiros cliques da sua câmara foram disparados a amigos, namoradas de amigos e cenas do dia-a-dia. Eventualmente, e quase sem perceber como, deu por si a captar em filme bandas de sucesso como os The Pretty Thing.

Chega 1970 e o início da época aúrea do rock. Pela altura em que Syd Barret lança o seu primeiro álbum a solo, o The Madcap Laughs conta com inúmeras fotografias artísticas tiradas por Mick Rock. Nesses dias, o fotógrafo começou a receber cerca de cinco a dez libras por sessão, o que era bastante encorajador. Não sabendo o que lhe esperava o futuro a nível profissional, decidiu apostar na fotografia e a aposta pagou por si só.

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A par com fotografias para Rory Gallagher, dedicou-se à escrita e colaborou com várias publicações de música. Nesse contexto, ganhou mais dinheiro e conheceu David Bowie. Tal encontro aconteceu pouco antes de Bowie entrar na sua fase de Ziggy Stardust. Não é de admirar por isso que a inclinação de Ziggy Stardust para os excessos tenha sido capturada pelo fotógrafo e imortalizada em fotografias repletas de carga sexual.

E Bowie – de quem Mick Rock foi o fotógrafo oficial entre 72 e 74 – abriu novas portas profissionais para o jovem fotógrafo. Entre os contactos que fez estão nomes como os Mott The Hoople, Lou Reed (de quem ainda hoje é muito amigo), Iggy Pop e até mesmo Queen.

Inspirado num imagem de Marlene Dietrich para o filme O Expresso de Xangai, Mick Rock capturou a icónica capa do álbum Queen II, obra que foi considerada por alguns como pretensiosa mas que Freddie Mercury terá aplaudido entusiasticamente. O sucesso da fotografia foi tal que, um ano mais tarde, o quarteto britânico recriou a imagem para o vídeo do êxito Bohemian Rhapsody.

 

Nunca na carreira de Mick Rock se viu o fotógrafo confrontado com a necessidade de recorrer a um agente que lhe encontrasse novos trabalhos. Por recomendação de todos os artistas que fotograva e que aplaudiam o seu trabalho tanto como Rock aplaudia o deles, o fotógrafo levou a sua câmara até aos Roxy Music, Cockney Rebel e aos Sex Pistols.

De Londres a Nova Iorque, dos anos 70 ao novo milénio

Porém, o final da década levou-o ainda mais longe: Nova Iorque, the Big Apple, florescia e tornava-se o centro do mundo pop. Entre arranha-céus e glamour, Mick Rock fotografou bandas como os Ramones, Talking Heads, Dead Boys, Blondie e Patti Smith. Tratava-se de um mundo diferente, nas vésperas da geração MTV, numa época sem Internet e em que os próprio media fervilhavam de outra forma.

Mas os anos 70 não foram vividos sem excessos. Ainda hoje uma parte de Mick Rock lamenta os excessos que viveu e que foram responsáveis pelo fim precoce de inúmeros artistas dessa época, muitos dos quais só vivem hoje em velhas fotografias. Toldado por drogas e dependências, Mick Rock viu a sua própria reputação sair prejudicada mas isso nada era em comparação ao problema de saúde que, em 1996, o obrigou a repensar toda a sua vida e a dedicar-se a um estilo de vida menos excessivo.

Hoje, continua a fotografar artistas por todo o mundo, assim como modelos e eventos de moda. Kate Moss, Lady Gaga, Alicia Keys, Daft Punk e Michael Bublé: são nomes do século XXI com quem Rock já se cruzou.

Para além de vários livros publicados recentemente, trabalhou como fotógrafo na produção de filmes como Shortbus, The Rocky Horror Picture Show e Hedwig and the Angry Inch. O seu trabalho passado e atual é frequentemente exposto ao público, obrigando-a a andar sempre perdido entre o tempo.

Quando confrontado com as novas tecnologias e todas as mudanças que trouxe ao mundo da fotografia, Mick Rock responde que não vê qualquer problema no digital e que, aliás, abraçou todas as novas potencialidades que trouxe. O que importa é a imagem, não o facto de ser capturada analógica ou digitalmente.

Quase a entrar no patamar dos 70 anos, este homem que fotografou os anos 70 continua a fazer aquilo de que mais gosta e não mostra intenções de parar: capturar visualmente a música.

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Artigo publicado originalmente no Blog Mundo de Músicas com o título Mick Rock, o homem que fotografou os anos 70

 

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