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Saiba como o mobile influencia os hábitos de leitura das crianças

Saiba como o mobile influencia os hábitos de leitura das crianças

 

A tendência mobile está em crescimento. Mas será que estamos preparados para as mudanças que usar o smartphone e tablet implica? No Blog Estratégia Digital, esta foi uma pergunta que mereceu a nossa atenção. Na altura em que escrevemos esse post, avaliamos vários casos de acidentes provocados pela utilização de dispositivos móveis ao mesmo tempo que se fazia outras tarefas.

Neste post, que se insere propositadamente no blog Mundo de Livros, regressamos a esta temática e estamos preparados para dar uma abordagem diferente. Desta vez, analisamos os problemas provocados pelo mobile a partir de outra ótica: que tipo de impacto a utilização de tablets e smartphones pode ter, a longo prazo, nos hábitos de leitura das crianças?

É isso mesmo que tentamos perceber, baseando o nosso post numa série de depoimentos prestados por vários investigadores.

Mobile: livros digitais para crianças?

Este é um problema que tem sido avaliado por investigadores em todo o mundo. Por muitas vantagens que possamos reconhecer nos dispositivos mobile e nesta tendência crescente, a verdade é que a tecnologia se pode assumir como um problema. Conforme dados divulgados pela OfCom – entidade reguladora das telecomunicações do Reino Unido – o número de crianças entre os 5 e os 15 anos a ter acesso a um tablet aumentou, de 2010 para 2014, da casa dos 7% para os 71%. Este número avassalador prova por si só que paradigmas mudaram graças ao mobile.

“A popularidade dos tablets entre as crianças é um tópico controverso. Estão estes dispositivos a distrair as crianças de atividades mais tradicionais, que alguns consideram promover maior bem-estar, como a leitura?”. Quem fez esta pergunta foi Stuart Dredge, num estudo que foi publicado no jornal The Guardian.

Ao que parece a resposta a esta pergunta pode ser sim, o mobile pode estar mesmo a afetar a leitura entre os mais jovens. Basta darmos uma vista de olhos a um relatório da editora norte-americana Scholastic para perceber a redução dos hábitos de leitura em crianças entre os 6 e  os 17 anos. De 2010 para 2014, o número de 37% de crianças a ler por prazer entre 5 a 7 dias por semana caiu para 31%.

Uma das soluções óbvias para cruzar o fosso que se criou entre o mobile e os hábitos de leitura passa por juntar os dois em um. Porque não ler um livro no tablet? Porém, isto talvez não seja tão fácil como aparenta ser. Irene Picton da National Literacy Trust considera que “precisamos de pesquisa” e de “uma pesquisa mais abrangente” antes de promover este tipo de iniciativas.

Descontos!
 

Quem concorda com esta necessidade é David Kleeman, vice-presidente da Dubit, uma empresa que analisa tendências mundiais e que aponta que “quase tudo o que se lê hoje em dia sobre e-reading é preliminar ou de escala reduzida”. Mas pode haver esperança no futuro se as investigações forem positivas.

Afinal de contas, como no diz Irene Picton, os próprios livros em papel começaram por ser uma tecnologia avançada quando surgiram. O filósofo Sócrates, por exemplo, recebeu a escrita como algo estranho e completamente desnecessário, já que acreditava que ler e escrever informação não era tão eficiente como ouvi-la. Conforme acrescenta Picton, as plataformas digitais podem constituir uma oportunidade de “manter a leitura relevante” e diz que não ter uma “mente aberta” pode levar-nos a “ignorar essa oportunidade”.

No entanto, é preciso saber como passar o texto do papel para o digital.

“Com um ecrã que compete pela atenção a criança e oferece múltiplas hipóteses [de entretenimento] – vídeos, aplicações, jogos, livros, e redes sociais – é muito fácil ser seduzido pelas possibilidades: introduzir coisas desnecessárias que não suportam ou melhoram a história, mas antes distraem”, alerta David Kleeman.

Um dos entrevistados por Stuart Dredge, que não se quis identificar, levanta a questão: “Talvez o problema não seja com os miúdos e os ecrãs, mas com os pais e os ecrãs (…) As crianças olham para nós como modelo, então, como podemos esperar que amem ler, se nós não conseguimos afastar do Facebook ou do WhatsApp por 10 minutos para ler com eles?”.

Assim sendo, pergunta Gareth Williams, “podem estes aspectos sociais de interactividade acontecer com dispositivos tal como acontecem com livros? Na verdade, tudo se resume às pessoas”.

 

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