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Muito Barulho Por Nada: uma das melhores comédias de Shakespeare

Muito barulho por nada

Muito Barulho Por Nada: uma das melhores comédias de Shakespeare

 

Não é raro encontrar trabalhos que juntem grandes nomes da poesia nacional e internacional. Vasco Graça Moura, por exemplo, é conhecido não só pelo seu trabalho original mas por ter traduzido grandes nomes da literatura clássica como Dante Alighierri, Shakespeare e Moliére. No entanto, neste post vamos falar de Sophia de Mello Breyner Andresen e da tradução nunca antes publicada daquela que é considerada uma das melhores comédias de Shakespeare.

O texto de Shakespeare, que terá sido escrito entre 1598 e 1599, foi levado ao palco pelo Teatro da Cornucópia, com encenação de Luís Miguel Cintra, que assina o prefácio do livro e faz apontamentos à tradução da poetisa portuguesa. A peça de Shakespeare foi recentemente publicada pela Assírio & Alvim.

Muito Barulho Por NadaA intriga de Muito Barulho por Nada centra-se num estratagema organizado no sentido de levar Cláudio a pensar, na véspera do seu casamento, que a amada, Hero, lhe tinha sido infiel. Todo o desenrolar da história se faz em torno da calúnia e desgraça em que esta figura feminina caiu. Repudiada e humilhada diante do altar por Cláudio, Hero é ajudada pelo pomposo guarda Corniso e pelos seus homens que, após algumas peripécias e disfarces, contribuem para a felicidade e reencontro de Cláudio e Hero.

Muito Barulho por Nada desenvolve o enredo em três acções conduzidas por três grupos de personagens em flagrante oposição: a seriedade de Cláudio e Hero, o carácter cómico de Benedito e Beatriz e o humilde mas eficaz auxílio de Corniso e Verdor. Nada nesta peça se afigura previsível: a vivacidade e a espontaneidade, com as quais os brilhantes jogos de palavras e de wit se revelam, mantêm sempre presente o compromisso entre a liberdade, a criatividade e o carácter formal das personagens e suas atitudes

No prefácio, Luís Miguel Cintra sublinha a pertinência de uma tradução assinada por uma das maiores poetisas de Portugal. “À Sophia apaixonava-a um trabalho rigoroso das palavras mas sabia como ninguém que a língua é uma coisa viva, parte fundamental do pensamento e gostava que o trabalho de fazer os acertos na tradução permitissem conversas que as próprias palavras suscitavam”, diz no prefácio do livro.

“Para se perceber as suas escolhas de tradutora tem de se entender a sua ideia de tradução: uma verdadeira interiorização, até musical, do texto inglês e a resposta — como se fosse um eco que falasse português e que tantas vezes parecia tradução literal, sendo no entanto o resultado de uma escolha não a favor da fidelidade literal mas sim de outra fidelidade mais inteligentemente entendida, a fidelidade de encontrar em português uma linguagem teatral para um texto destinado a ser representado e a uma poética sua, fiel à de Shakespeare”, acrescenta.

Poeta e dramaturgo inglês, Shakespeare nasceu em 1564, em Stratford-Upon-Avon, e faleceu em 1616. O seu aniversário é comemorado a 23 de abril e sabe-se que foi batizado a 26 de abril de 1564. Além de uma coleção de sonetos e de alguns poemas épicos, escreveu exclusivamente para o teatro. É um dos maiores génios de sempre da literatura universal.

Já Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu a 6 de novembro de 1919 no Porto, onde passou a maior parte da sua infância. Entre 1936 e 1939 estudou Filologia Clássica na Universidade de Lisboa. Publicou os primeiros versos em 1940, nos Cadernos de Poesia e mais tarde participou ativamente na oposição ao Estado Novo. Após o 25 de abril é eleita deputada da Assembleia Constituinte.

Autora de catorze livros de poesia, publicados entre 1944 e 1997, escreveu também contos, histórias para crianças, artigos, ensaios e teatro. Recebeu entre outros, o Prémio Camões 1999, o Prémio Poesia Max Jacob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana. A sua obra está traduzida em várias línguas.

 

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