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O céu marroquino de Paul Bowles regressa às livrarias

O céu marroquino de Paul Bowles regressa às livrarias

 

Publicado pela primeira vez em 1952, o romance Deixa a Chuva Cair de Paul Bowles chegou novamente às livrarias pela editora Quetzal a 3 de Agosto. E fica assim disponível para qualquer leitor reler esta bela homenagem a Tânger e Marrocos, onde o autor viveu grande parte da sua vida.

O título vai buscar inspiração a Macbeth de William Shakespeare, explica o autor: «Desde os meus oito ou nove anos que me fascina aquele breve trecho de Macbeth em que Banquo sai do castelo com o filho e comenta, de passagem, para os homens no exterior, que a chuva vem aí. Obtém, como resposta, o faiscar de uma lâmina e a admirável frase de quatro palavras, sucinta e brutal: “Deixa a Chuva Cair.”».

Se o céu do romance O Céu que Nos Protege era vasto e azul, o céu de Deixa a Chuva Cair, também omnipresente, opressivo e escuro. A chuva que teima em cair, as nuvens que se acumulam, as ondas do estreito de Gibraltar, o vento que assobia e faz bater a porta da cabana nas montanhas acompanham o percurso da personagem principal.

«O herói é um zé-ninguém, uma “vítima”, como ele próprio se descreve, cuja personalidade, definida apenas em termos da situação, só provoca simpatia na medida em que é vitimizada. É a única personagem totalmente inventada», conta Paul Bowles, que também incluiu uma caricatura de si mesmo em Deixa a Chuva Cair, que foi editado no Brasil com o título Que Venha a Tempestade.

Se ainda não conhece este autor, então pode muito bem ser uma excelente oportunidade para viajar pelas palavras de um cidadão do Mundo. A imprensa internacional não tem dúvidas sobre o mérito da obra. Confira algumas opiniões em baixo:

«O talento de Paul Bowles para lidar com o macabro, o onírico, o cruel e o perverso de uma forma genuinamente imaginativa.» – The New York Times

 «Enquanto O Céu que Nos Protege se foca no deserto do Saara, Deixa a Chuva Cair centra-se na cidade, na Zona Internacional de Tânger. Através dos seus livros, Paul Bowles criou uma visão (e uma mundividência) de Marrocos única.» – The Guardian

«Um tesouro escondido para os leitores que não exploraram [a obra de Paul Bowles] para além de O Céu que Nos Protege.» – The Seattle Times

«Paul Bowles consegue o melhor efeito a partir de uma linguagem despojada e despida de emoção.»  – The New York Times

 

 

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Sinopse de Deixa a Chuva Cair

Nelson Dyar, um jovem americano, chega à Zona Internacional de Tânger, depois da Segunda Guerra Mundial, para começar uma nova vida. Transposto para um meio totalmente estranho, vagueia entre as duas culturas – a árabe e a ocidental –, sem compreender nenhuma delas.

Retirado do ambiente ordenado em que existira até então, Dyar não consegue interpretar as reações daqueles com quem se cruza: Hadija, a pequena prostituta, a terrível Eunice Goode, Thami, o contrabandista árabe que faz a ponte entre os salões do palácio dos Beidaoui e os bares da casbá, Daisy de Valverde, Wilcox, com os seus negócios escuros, Madame Jouvenon e a espionagem, os berberes e o povo das montanhas, a população dos bairros indígenas e os cambistas judeus.

A chuva cai incessante, transformando em rios as ruelas da casbá e marcando as alterações do estado de espírito de Dyar. Até ao abismo inevitável.

 

Paul Bowles com vários membros da Beat Generation

Quem é Paul Bowles?

Paul Bowles nasceu no bairro de Queens, Nova Iorque, EUA. Aprendeu a ler aos quatro anos e manteve diários escritos e desenhados desde essa idade. Com nove anos, começou a estudar teoria da música, canto e técnicas de piano. A partir de 1928, frequentou a Universidade da Virgínia, e em 1929 iniciou-se nas viagens, passando uma temporada na Europa.

 

Voltou a Paris em 1931, onde conviveu com grandes nomes da Literatura e cultura da época, incluindo Gertrude Stein, Jean Cocteau e Ezra Pound. Continuou por Berlim, onde se tornou amigo de Christopher Isherwood, e visitou Kurt Schwitters em Hannover. Foi também nesse ano que viajou pela primeira vez até Tânger, Marrocos, onde viveu grande parte da vida a partir de 1947 e acabou os seus dias.

Em 1937, Paul Bowles conheceu a escritora Jane Auer, com quem partiu em viagem ao México e com quem se casou no ano seguinte. Mantiveram um casamento aberto, por vezes turbulento, com viagens ora a uni-los, ora a separá-los, até à morte de Jane Bowles, em 1973.

 

Paul Bowles com Jane Bowles

 

Nos anos 50, vivendo grandes períodos no Norte de África, Paul Bowles conheceu o marroquino Ahmed Yacoubi, que se tornou seu companheiro íntimo nas décadas que se seguiram e em muitas viagens. Esses anos foram também marcados pela visita e permanência das principais figuras da Beat Generation em sua casa, em Tânger, incluindo o trio Jack Kerouac, William Burroughs e Allen Ginsberg, assim como artistas musicais como os The Rolling Stones, Patti Smith e muitos outros ao longo dos anos.

Paul Bowles faleceu em 1999 em Tânger e, apesar de ter vivido cerca de 52 anos em Marrocos, foi enterrado em Lakemont, Nova Iorque, EUA.

 

Paul Bowles com Patti Smith

Ficha Técnica do Livro Deixa a Chuva Cair

Género: Literatura | Romance| Formato: 15 x 23,5 cm | N.º de páginas: 360 | Data de lançamento: 3 de agosto de 2018 | PVP: € 18,80 | ISBN: 978-989-722-518-5

 

 

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