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O Psicanalista: um thriller que explora os recantos da mente humana

O Psicanalista: um thriller que explora os recantos da mente humana

 

John Katzenbach é escritor, mas antes de o ser trabalhou como jornalista da secção crime de duas publicações de renome de Miami, o Miami Herald e o Miami News. O contacto diário com realidades que desafiavam a ficção mais rebuscada serviu de ponto de partida para o início de uma carreira como escritor de policiais. O Psicanalista foi lançado, em 2002, e é dele que falamos neste post.

A narrativa começa no dia do 53.º aniversário do protagonista, um psicanalista chamado Frederick “Ricky” Starks. Isolado depois da morte da mulher e com pouca família, Frederick é um homem só que se dedica maioritariamente ao seu trabalho.

A vida pacata e sossegada que mantém leva uma reviravolta quando recebe uma mensagem: se dentro de duas semanas não tiver adivinhado quem seria o remetente, que assinava como Rumplestiltskin, seus familiares iriam começar a ser assassinados, um a um. Isto a menos que Ricky optasse por outra via e, caso não descobrisse quem era o homem mistério, se suicidasse.

Começa assim uma verdadeira caça ao homem num thriller, onde os acontecimentos se sucedem a uma velocidade frenética. Com um clima tenso, frio e calculista, o livro leva-nos a uma viagem pelos mecanismos da mente humana. Repleto de mistérios que se acumulam e interligam, O Psicanalista é um livro inteligente que aborda assuntos como a vingança ou o ponto até alguém é capaz de ir um determinado motivo.

Ao longo do das páginas, encontramos também Virgil e Merlin, dois ajudantes misteriosos que servem de intermediário entre Rumplestilskin e Frederick. A certo ponto, dá-se uma inversão dos acontecimentos. Depois de inicialmente não conseguir descobrir a identidade do autor da carta, Starks acaba por fingir a sua própria morte, passado de presa a caçador.

A partir daí, inicia-se a demanda do psicanalista para reaver a sua própria identidade e descobrir quem estaria por detrás do esquema e por que motivo ele estaria a ser castigado. Durante todo o processo, recordamos episódios do passado e relembramos a esposa que havia falecido, mas que continuava a ser uma parte importante da vida de Frederick.

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O Psicanalista: a história de Rumpelstilskin

Repleto de voltfasts, O Psicanalista é descrito como um policial sobre questões como a própria existência e a identidade. De acordo com o Washington Post, este é um livro “em parte thriller, em parte tratado existencial, em parte registo freudiano do inferno”. O jornal elogia o “ritmo tenso, com impecável sentido de tempo”, salientando a “prosa ágil de Katzenbach” que “é densa em atmosferas”.

A história está repleta de meandros e simbolismos. Aliás, não fosse o próprio Rumplestilskin o nome de uma das personagens dos contos dos Irmãos Grimm. Segundo reza a história, umm moleiro quis impressionar o rei, com quem queria casar a filha, que ela conseguia transformar palaha em ouro. Como resultado, o rei mandou chamar a rapariga, fechou-a numa torre com palha e disse que teria de a transformar em outro. Caso não o conseguisse dentro de 3 dias, seria executada.

Assustada, a rapariga já tinha perdido a esperança quando encontra um duende que a ajuda e realmente transforma a palha em ouro em troca do colar. No dia seguinte, a criatura pede-lhe o anel. Na terceira noite, o duende disse que transformaria a palha em ouro em troca do primeiro filho que ela tivesse. A rapariga acedeu.

Impressionado com a transformação que julgava ter sido feita pela filha do moleiro, o rei decidiu casar-se com a rapariga. Quando o primeiro filho nasceu, o duende voltou para reclamar o prémio. Inconsolável, a moça, agora rainha, ofereceu todas as suas riquezas, mas estas não eram suficientes. O duende propôs então que se a rainha adivinhasse o seu nome dentro de 3 dias, ele desistiria da criança.

Na primeira noite, a rainha falhou, mas na segunda tudo foi diferente. Um mensageiro tinha ouvido o duende a cantar junto à fogueira: “Hoje eu frito, amanhã eu cozinho!/ Depois de amanhã será o filho da rainha/ Coisa boa é ninguém saber/ Que meu nome é Rumpelstiskin!”. O mensageiro contou à rainha que, assim, adivinhou o nome do duende e ficou com o filho.

 

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