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Boa Noite, Senhor Soares: uma viagem ao mundo de Pessoa

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Boa Noite, Senhor Soares: uma viagem ao mundo de Pessoa

 

Em “Boa Noite, Senhor Soares”,  Mário Cláudio faz a sua primeira e única visita ao universo pessoano. Mesmo que já tivesse frequentado o mundo de Fernando Pessoa enquanto leitor, como escritor esta foi a primeira vez que o escritor portuense visitou o poeta. O resultado, claro está, é brilhante.

Aquando do lançamento do livro, tive oportunidade de ir ao lançamento da obra que foi apresentada por Miguel Cadilhe. Nesse mesmo evento, o escritor portuense explicou-me que a ideia por detrás deste livro nasceu da leitura de uma passagem do “Livro do Desassossego”, de Bernardo Soares, um dos muitos heterónimos de Pessoa. Esse excerto seria, mais precisamente, o do rapaz do escritório se vai embora.

Este rapaz que surge no “Livro do Desassossego” é precisamente o narrador da novela de Mário Cláudio – António da Silva Felício. A acção passa-se em dois tempos e ao longo de sete capítulos nos quais somos conduzidos através de memórias da Lisboa dos anos 30 e da observação que o Rapaz faz do tal senhor Soares que uma hora é o tradutor da firma onde trabalha, outra o guarda-livros e, no fim, poeta.

De acordo com o que o autor me contou, “não foi difícil escrever sobre a Lisboa dessa época, porque conheço bem a cidade, embora tenha vivido lá na década de 60”, acrescentando que, portanto, “foi só reconstituir a memória de uma cidade que continuava um pouco fechada, provinciana e até um bocadinho secreta”.

Revisitar a Lisboa de Fernando Pessoa

Para fazer a apresentação do livro, o escritor convidou Miguel Cadilhe não só por considerá-lo um leitor exemplar, mas também pelo facto de não ser um especialista em literatura o que lhe permite realizar uma comunicação mais abrangente da sua escrita.

“Tenho tido a preocupação de escolher pessoas que estejam ligadas à literatura e que não se limitam a ler apenas sobre o que diz respeito à sua própria profissão”, explicou-me desta forma a escolha do economista, acrescentando que quanto a si “constitui uma lição preciosa e que deve ser aproveitada se pensarmos que o nosso país tem um taxa de iliteracia grande”.

Sem deixar os seus créditos por mãos alheias, Miguel Cadilhe apresentou “Boa Noite, Senhor Soares” fazendo sempre um paralelismo com o “Livro do Desassossego”. Sobre o autor definiu-o como sendo “um dos grandes escritores do século XX ainda vivo”, além de considerar interessante a forma como Mário Cláudio “junta várias coisas para escrever uma novela que pode causar perplexidade a quem conheça a vida de Bernardo Soares” e utiliza “uma arte magistral para dar a volta às personagens”.

No final do evento, o escritor portuense estava visivelmente contente pela análise feita por Cadilhe e fez saber ainda que este novo título surgiu no intervalo de um projecto mais extenso em que tem trabalhado. “Achei que valia a pena executar um exercício pela mão esquerda e uma das minhas preocupações foi escrever um história com princípio, meio e fim”, disse Mário Cláudio, concluindo desta forma a sua intervenção: “Os livros que faço são para vocês (leitores) e não para mais ninguém”.


 

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