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Prémio Camões: um prémio que distingue a língua portuguesa

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Prémio Camões: um prémio que distingue a língua portuguesa

 

Luís Vaz de Camões nasceu e morreu no século XVI. Considerado como um dos maiores poetas do seu tempo e em diante, o português foi escritor de Os Lusíadas, epopeia cuja mensagem subsistiu à passagem dos séculos. A grandiosidade justifica a homenagem: em 1988 instituía-se oficialmente o Prémio Camões, o maior da literatura lusófona.

Galardão de autores, o Prémio Camões foi criado por protocolo na sequência de um acordo entre o Governo da República Portuguesa e o Governo da República Federativa do Brasil. A primeira parceria foi estabelecida pelo Protocolo Adicional ao Acordo Cultural. Anos mais tarde, a 30 de novembro em 1988, Portugal promulgou o Decreto n.º43/88, onde se oficializava o Prémio Camões.

As palavras não deixam margem para dúvidas: o objetivo era (e continua a ser) ‘consagrar anualmente o autor de língua portuguesa que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum’.

A primeira distinção ocorreu no ano posterior ao decreto. O premiado de 1989 foi o português Miguel Torga. Desde então seguiram-se escritores de nacionalidade brasileira, angolana, moçambicana e cabo-verdiana. A mais recente galardoada foi a portuguesa Hélia Correia, distinguida em 2015 pelo contributo nos romances, poesia, teatro, contos e literatura infanto-juvenil.

Na escolha anual do vencedor há que destacar o papel de um júri rotativo escolhido especificamente para o efeito. Também rotativo é o local da atribuição do prémio, que vai saltando entre os países lusófonos. O premiado vence também uma quantia em dinheiro.

Prémio Camões: a recusa de José Luandino Vieira

Tido como o prémio mais importante da literatura lusófona, o Prémio Camões já distinguiu alguns dos maiores autores da contemporaneidade. Entre eles, destacam-se, por exemplo, Vergílio Ferreira, Jorge Amado, José Saramago ou Sophia de Mello Breyner.

Todavia, ao longo dos mais de 20 anos de história do Galardão, houve um escritor que se recusou a receber o Prémio Camões. Quem? José Luandino Vieira. Estávamos, então, no ano 2006, altura em que o autor alegou ‘razões pessoais, íntimas’ como motivo para a recusa. Sem grandes declarações à imprensa, José Luandino Vieira acabou por não dizer muito mais do que isto.

Esta foi, até à data, a primeira e única vez que o Prémio Camões foi recusado. Vozes da crítica acentuaram-se na altura, dizendo que o galardão se regia por critérios que não eram exclusivamente literários.

Face à recusa, a organização tomou a decisão de manter a indicação, considerando que mesmo que o prémio tenha sido recusado, José Luandino Vieira continuava a ser um justo vencedor.

Recorde-se que ao negar o prémio, o angolano negou também a quantia de 100 mil euros que lhe estava destinada. Amigos do escritor dizem que a posição não é surpreendente, já que José Luandino Vieira tinha há muito enveredado por um estilo de vida despojado e sem grande ligação aos bens materiais.

 

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