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Ricardo Lombardi deixou a direção da Yahoo para vender livros

Ricardo Lombardi deixou a direção da Yahoo para vender livros

 

Ricardo Lombardi foi jornalista, trabalhou como gestor para gigantes da Internet e ficou conhecido como ex-diretor de conteúdos da Yahoo! Brasil. Com uma carreira de sucesso, Lombardi decidiu fazer um desvio no percurso, vendeu o carro e aventurou-se por uma profissão que realmente gostava. Tinha 44 anos quando largou a Yahoo para se dedicar à venda de livros usados.

Neste artigo voltamos atrás no tempo para conhecer a história de Ricardo Lombardi. Para isso, precisamos primeiro de recuar a 1994, altura em que o então jovem terminava o curso de jornalismo. Este seria o culminar de um percurso académico que tinha começado no Direito e passado pelas Letras, áreas para as quais Lombardi percebeu que não tinha grande apetência.

O jornalismo, área em que finalmente se formou, era uma profissão com a qual já tinha contactado. Aos 16 anos, altura em que os pais se divorciaram, Lombardi começou a trabalhar no jornal brasileiro Estadão. Depois de escolher viver com a mãe, que se encontrava desempregada, o jovem foi obrigado a procurar emprego, mesmo fora da sua área.

Fora da área? Sim, o início da carreira foi no Estadão, mas não foi como jornalista. Em vez disso, Ricardo Lombardi trabalhava como gestor de arquivo. Por outras palavras, a sua função era basicamente procurar material arquivado, que depois era utilizado por jornalistas nos seus trabalhos. Entre eles, vários nomes de peso dos media brasileiros.

O amor pelo jornalismo veio aos poucos e refletiram-se na altura de escolher finalmente uma profissão. No ano de 1998, Lombardi passou para a revista Comigo!, da Azul, onde trabalhou primeiro no Brasil e posteriormente como correspondente em Nova Iorque. Depois de cerca de um ano nos Estados Unidos da América, o jovem voltou e começou a trabalhar com Marta Goés para o Jornal da Tarde.

Mais tarde, já no início do século XXI, Ricardo Lombardi passou para a revista Sabor e depois para as edições online da AOL, onde ficou até ao ano de 2005. Nos anos que se seguiram passou pela revista Bravo e pelo Guia de Estudante/Almanaque, até que finalmente chegou à direção de conteúdos da Yahoo! Brasil. Estávamos, então, no ano de 2009.

 Ricardo Lombardi: o salto para os livros

Com uma carreira em ascensão, Ricardo Lombardi parecia ter atingido o topo quando, aos 44 anos de idade, decide deixar a direção da Yahoo para se dedicar a um projeto que tinha vindo a desenvolver nos tempos livres. Considerou, na altura, que o sucesso dependeria das suas prioridades e, assim, começou uma nova aventura.

A ideia de criar uma loja de livros usados surgiu numa viagem em família. Casado com Camila Sarpi, uma designer de jóias, Ricardo Lombardi tem dois filhos. O nascimento da filha coincidiu mais ou menos com uma viagem à Argentina, altura em que foi visitar o pai que acabaria por falecer. Na viagem, encontrou um alfarrabista que o inspirou.

 

De volta a casa, trouxe a ideia para criar um novo projeto que viria a chamar a Desculpe a Poeira, que também é o título do blog que mantinha desde 2007. Aos poucos foi trabalhando para construir a sua própria loja: em 2008, deu uso ao curso de marcenaria para criar os seus móveis; pouco tempo depois, a livraria de usados abria portas ao público na rua Sebastião Velho, 28-A, em Pinheiros. O espaço tinha 3 metros por 8 e era arrendado à própria mãe.

O começar de um novo projeto exigiu grandes mudanças, não apenas em termos profissionais como financeiros. Investindo dinheiro próprio, Ricardo Lombardi teve mesmo de vender o carro (substitui-o pela bicicleta), deixou de ser sócio de alguns clubes a que pertencia e deixou de ir a restaurantes onde pagasse mais do que 300 reais. Feitas as contas, do seu orçamento 70% foi dedicado ao Desculpe a Poeira. A restante parcela destinava-se a gastos pessoais.

Servir de ponte entre o leitor e os livros

Mais do que uma livraria convencional, Desculpe a Poeira pretende ser um espaço dedicado à literatura. Neste contexto, Ricardo Lombardi desempenha um papel fundamental, servindo de mentor e conselheiro para quem procura a obra certa para si. A ideia é simples e tira proveito de um conceito a que os norte-americanos chamam de “serendipity” (o desejo de querer alguma coisa, mas não saber exatamente o quê).

Encontrar o livro pretendido nem sempre é fácil, já que ao todo a oferta disponível ascende já a mais de 5 mil obras. Cerca de 70% da coleção é composta por livros do próprio Ricardo Lombardi, sendo que alguns são doações de amigos e conhecidos.

Segundo o alfarrabista, o caminho para o sucesso é ainda longo. Para conseguir estabilidade no negócio, precisa de vender quatro vezes mais do que aquilo que vende atualmente. Ao ritmo dos acontecimentos, o Lombardi considera que os objetivos devem ser conseguidos em breve.

Muito dos lucros serão provenientes não através da loja física, mas via online. Desculpe a Poeira trabalha com a Estante Virtual, um grande agregador de livros usados, que agiliza o processo de compra. As vendas online representam 70% dos lucros de Lombardi.

 

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