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O Violino de Auschwitz: música de esperança no holocausto

O Violino de Auschwitz: música de esperança no holocausto

 

O campo de Auschwitz, na Áustria, presenciou um dos maiores crimes cometidos pelo homem: o extermínio de milhares de pessoas inocentes, marcadas como a escória da sociedade por um ditador brutal que acreditava na pureza da raça ariana. O fim deste pesadelo só aconteceu depois da derrota da Alemanha, em 1945, momento que marcou também o fim da II Guerra Mundial. Hoje, recordamos este terrível episódio como Holocausto: judeus, deficientes, homossexuais e incapacitados eram transferidos para os campos de concentração e aí sujeitos a trabalhos pesados e, eventualmente, às câmaras de gás.

O horror destes dias já foi abordado por inúmeras obras literárias. A mais importante será, certamente, O Diário de Anne Frank, a rapariga que viveu na primeira pessoa estes terrores e que relatou, num diário, os dias em que se manteve escondida com a sua família num anexo secreto da casa de amigos. Porém, existe uma outra obra de que gostaríamos de falar neste post: O Violino de Auschwitz.

Este livro define-se como uma bela demonstração da dignidade humana em todas as circunstâncias. Um romance escrito por M. Àngels Anglada que retrata os horrores vividos por uma personagem chamada Daniel, em Auschwitz, que encontra num violino a esperança necessária para sobreviver.

O Violino de Auschwitz: sentir de perto o terror

A história de O Violino de Auschwitz começa e termina no mesmo dia. Porém, ao longo da obra, anda tudo à volta do violino e dos anos de terror que Daniel viveu em Auschwitz. Com capítulos que começam com citações de documentos Nazi, acompanhamos a história de Daniel desde o momento em que lhe pedem para criar um violino – já que era esse o seu ofício antes de ser preso – e tocar para o comandante.

Nas páginas seguintes seguimos Daniel e o seu esforço para encontrar os materiais necessários para construir o melhor violino que alguma vez fez. Mais do que desejar construir um bom instrumento, Daniel sabe que o fracasso em cumprir tal tarefa vai resultar na sua morte.

Aqui, temos de realçar que a autora prova com mestria ser uma excelente contadora de histórias. Conhecendo a personagem no seu ponto mais íntimo, relata o seu medo, fome e as saudades que sente da família. As condições de vida dos prisioneiros judeus são também descritas ao detalhe, permitindo-nos ter uma visão aproximada da realidade em Auschwitz.

Descontos!
 

Sem querer arruinar a história para quem não a leu, revelamos apenas que o protagonista consegue, de facto, sobreviver ao inferno de um campo de concentração graças ao dom que tem de criar beleza e de construir um violino para dar música aos seus carrascos. Um instrumento gerado no meio do horror, mas que se torna numa peça importante para que a personagem não se deixe anular face a uma situação que marcou a vida de milhares de pessoas.

A história começa anos depois do holocausto, quando um músico famoso assiste a um concerto e acaba por reconhecer o inconfundível som do violino de Daniel, utilizado por este em Auschwitz. Após travar conhecimento com o violinista, agora possuidor do instrumento, desencadeia-se uma viagem ao passado que é o fio condutor deste romance.

Um livro com uma pureza de linguagem, moderada e sem qualquer tipo de austeridade, que concede a O Violino de Auschwitz uma espécie de sonoridade discreta, uma paixão afinada e precisa. Com cerca de 100 páginas, é um livro que se lê rapidamente mas que promete marcar quem o ler.

 

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Comments

  • 28 Dezembro, 2015

    Excelente livro!! Fico feliz por ter um review desta maravilhosa história.

  • 15 Março, 2016

    Adorei este livro!! Fico feliz por encontrar um artigo falando dele.

  • 31 Dezembro, 2016

    Essa é uma leitura, fácil, e olha que não sou muito chegado em leitura, mas li bem tranquilo…

  • 31 Dezembro, 2016

    Muito boa leitura…

    Sentei com um caderninho fazendo varios observações…

    Acho que todos deveriam ler esse livro, não só os músicos e amantes da música…

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