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Os amores, os desgostos e a escrita de William Faulkner

Os amores, os desgostos e a escrita de William Faulkner

 

O reputado escritor norte-americano William Faulkner começou o seu trabalho na poesia, mas foram os romances que lhe trouxeram reconhecimento. Com uma lista de obras que incluem The Sound and the Fury ou Sanctuary, o autor conquistou os maiores prémios literários, gravando para sempre o seu nome na história da literatura. Ao longo deste capítulo, voltámos atrás no tempo para conhecer William Faulkner, Prémio Nobel e vencedor de dois Pulitzers.

William Faulkner nasceu em 1897, em New Albany, uma pequena cidade no estado do Mississippi (EUA). O nome é uma herança direta do seu bisavô paterno, William Clark Falkner, um homem com reputação de ser perspicaz, apelidado de “Old Colonel” (Velho Coronel), lembrado pelo best-seller The White Rose of Memphis.

A vida do antepassado acabou por servir de inspiração ao bisneto que nunca chegou a conhecer. Além de escritor, o William Clark Falkner foi político, soldado, agricultor e homem de negócios. A vida acabou por servir de inspiração ao bisneto, que nasceria cerca de 8 anos após o seu assassinato.

Embora William Faulkner nunca o tenha conhecido, o facto é que cresceu com as histórias do bisavô. Na infância, devemos também assinalar o peso das mulheres da família: tanto a mãe como a avó eram leitoras vorazes e gostavam de pintura e fotografia. Rodeado de arte, Faulkner cedo demonstrou interesse pela literatura. Com 12 anos, era apaixonado pela literatura escocesa, em particular pelas obras de Robert Burns.

Curiosamente, apesar de revelar inteligência avançada para a idade, William Faulkner acabou por nunca se formar: a escola aborrecia-o e, por isso, começou a trabalhar como carpinteiro e como funcionário no banco do avô.

Estelle Oldham: uma paixão que despoletou outra

Durante a juventude, conheceu Estelle Oldham e terá sido “amor à primeira vista”. Os dois chegaram a namorar, no entanto, um rapaz chamado Cornell Franklin antecipou-se e pediu a mão da jovem. A proposta foi tomada de ânimo leve e, como Franklin partiria em breve para servir no exército, Estelle acabou por aceitar. Julgava que aquilo não iria dar em nada.

Meses depois, chegou uma carta com um anel de noivado. Graduado em Direito pela Universidade do Mississippi e filho de boas famílias, Cornell Franklin era considerado o partido ideal. Como tal, os pais de Estelle acabaram por fazer pressão para que ela aceitasse o pedido. Angustiado pela situação, William Faulkner acabou por se virar para Phil Stone, um advogado local que estava impressionado pela sua poesia e que acabaria por se tornar seu mentor. Foi por esta altura que Faulkner se mudou para New Haven, estado de Connecticut.

O desgosto amoroso fez com que William Faulkner se focasse na escrita, começando a desenvolver o género narrativo. Trabalhou ainda numa fábrica de espingardas e, com a chegada da I Guerra Mundial, decidiu alistar-se na British Royal Flying Corps, treinando depois para ser piloto na Royal Canadian Air Force. Antes disto, o escritor já havia tentado fazer parte das Forças Armadas norte-americanas, posição que não conseguiu graças ao seu peso. Para entrar na Royal Air Force, chegou a omitir várias fatores – inclusive mudou o apelido de Falkner para Faulkner (que parecia mais britânico).

Universidade e primeiras obras de William Faulkner

A decisão de entrar para a Universidade do Mississippi ocorreu no ano de 1919. Durante esta breve passagem pelo ensino superior, William Faulkner escreveu para o jornal universitário, publicando poemas e contos. Cerca de três semestres depois, acabou por desistir. Os próximos anos foram passados como assistente de livraria em Nova Iorque e foi até chefe dos escuteiros.

 

O primeiro romance de William Faulkner foi publicado no ano de 1925 e chamava-se Soldier’s Pay. Estava, então, em Nova Orleães, onde trabalhava para uma revista local sobre literatura. Com a publicação do livro, Faulkner decidiu deixar os EUA e viajar para a Europa. Viveu nos subúrbios de Paris, escrevendo sobre o Jardin de Luxembourg, situado a uma curta distância do seu apartamento.

Mas porquê escrever sobre França quando William Faulkner sabia tanto sobre o Mississippi? A questão foi-lhe colocada pelo escritor e amigo, Sherwood Anderson, que o aconselhou a escrever sobre a sua cidade e sobre as aventuras que conhecia. Em 1929, era publicado The Sound and the Fury, a sua obra mais icónica, onde cria o fictício Yoknapatawpha County, um condado imaginário que poderia muito bem existir no estado do Mississippi.

Entre as maiores inspirações estão pessoas que ele próprio conheceu e, claro, o bisavô. Trazendo a literatura das regiões mais a sul para a ribalta, William Faulkner tornou-se um símbolo literário. Em 1930 publicou As I Lay Dying e, um ano depois, Sanctuary. Este último foca-se no rapto e violação de uma jovem da Universidade do Mississippi. A história chocante levou-o ao sucesso comercial, acompanhado pela aclamação da crítica.

Estelle, prémios e legado de William Faulkner

Algures entre a publicação de The Sound and the Fury e Sanctuary, Estelle Oldham divorciou-se de Cornell Franklin. Reacendeu então a paixão e a jovem acabou por voltar aos braços de William Faulkner. No espaço de seis meses, estavam casados e logo depois tiveram uma filha, Alabama, que acabaria por nascer prematura e morrer alguns dias após o parto.

Entre as muitas histórias, mitos e aventuras de William Faulkner encontram-se também o trabalho como argumentista para os estúdios de Hollywood. Sanctuary por exemplo foi adaptado ao cinema em 1933 num filme com o nome The Story of Temple Drake. A distinção na literatura chegou em 1946, quando recebeu o Prémio Nobel. Seguiram-se outras distinções importantes, como o National Book Award de 1951, o Pulitzer de 1955 e outro National Book Award no mesmo ano. O segundo Pulitzer para Ficção, ainda recebido em vida, chegou em 1963.

William Faulkner faleceu a 6 de julho de 1962, vítima de ataque cardíaco. Por coincidência, a data coincide com o dia de aniversário do seu bisavô, num capricho do destino tão irónico como simbólico. No ano seguinte, venceu o Pulitzer póstumo, com The Reivers. O seu trabalho é considerado como uma das obras mais importantes do universo literário dos estados sulistas dos Estados Unidos da América e do mundo.

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