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Anaïs Nin: o polémico e erótico “O Delta de Vénus”

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Anaïs Nin: o polémico e erótico “O Delta de Vénus”

Eduardo Aranha
by Eduardo Aranha

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Anaïs Nin é recordada na história da literatura pela sua escrita audaz e polémica. No blog Mundo de Livros já tivemos a oportunidade de homenagear esta escritora traçando uma biografia sobre alguns dos momentos mais importantes da sua vida. Porém neste post vamos virar a página a uma das suas obras mais importantes: O Delta de Vénus.

Antes de mais, vamos relembrar quem foi esta escritora. Nascida numa cidade perto de Paris, em 1903, Anaïs Nin tinha ascendência francesa, cubana e dinamarquesa. Muita nova, mudou-se para Barcelona ao lado de dois irmãos e, eventualmente, para Nova Iorque, onde abandonou a educação clássica para se tornar modelo e bailarina. Por essa altura, já tinha praticamente esquecido o espanhol, mantendo-se, todavia, fluente em francês e inglês.

É na década de 1920 que a sua vida amorosa começa a ficar interessante. Em 1923, casa-se com Hugh Parker Guiler na cidade de Havana (Cuba). Após o regresso a Paris, Anäis Nin começou a escrever e iniciou um percurso marcante como autora. Em simultâneo, ocupava o tempo com aulas de flamengo. O primeiro livro, D. H. Lawrence: An Unprofessional Study foi lançado em 1932 e julga-se que terá sido escrito em apenas 16 dias.

O contexto de II Guerra Mundial levou Anäis Nin a regressar a Nova Iorque. Para que os seus livros não fossem confiscados, a escritora enviou-os para Frances Steloff da Gotham Book Mart. Apesar das publicações, foram os diários pessoais que distinguiram a escritora. Durante quatro décadas, Nin foi descrevendo pensamentos e experiências. E são esses mesmos diários que sugerem um romance com o também escritor Henry Miller, homem com quem terá partilhado uma vida boémia.

O Delta de Vénus: 15 contos sobre a posição sexual da mulher

Hoje, ao olharmos para a bibliografia de Anaïs Nin, identificamos sem hesitar qual o seu livro mais conhecido: O Delta de Vénus. Porém, são muitos os que não conhecem a história por detrás deste livro erótico, sensual e às vezes até mesmo descrito como pornográfico.

Esta coleção de contos foi escrita na década de 1940 para um cliente privado que se fazia conhecer simplesmente como “Colecionador” e cuja identidade verdadeira acabou por ser identificada como Roy M. Johnson de Healdton Oil, de Oklahoma . Esta pessoa encomendou a Anaïs Nin, assim como a um conjunto de outros escritores e poetas da época, uma história fictícia de teor erótico para seu uso pessoal.

Apesar de Anaïs Nin ter recebido indicações para se focar nos elementos gráficos e sexualmente explícitos, deixando de parte qualquer linguagem poética, a autora não resistiu e deu asas à imaginação. Porque não escrever sobre sexo de uma forma poética? Foi exatamente isso que tentou (e conseguiu) através dos quinze contos inesquecíveis do livro O Delta de Vénus.

No seu Diário (de outubro de 1941), a escritora recorda esta sua encomenda e refere-se a si mesma como “a madame snob desta casa literária de prostituição, da qual a vulgaridade está excluída”.

Com referências ao Kama Sutra e a outros textos como os de Krafft-Ebing, Anaïs Nin procurou demarcar-se dentro do género literário, reconhecendo que as linguagens aplicadas ao público masculino e feminino, no que toca à sexualidade, eram muito diferentes.

Os contos do livro O Delta de Vénus conjuram na mente do leitor uma série de encontros sexuais, onde cores e emoções são transmitidas através de personagens muito próprias. Criando a sua própria linguagem dos sentidos, Anaïs Nin explora uma área da literatura que estava até então reservada aos homens e tece as suas percepções de forma única.

Com uma prosa intensa, debate como ninguém o conceito da sexualidade feminina num mundo onde apenas o amor tem significado. Temas como a masculinidade, domínio do patriarca, desejo homossexual, pedofilia e incesto são abordados ao longo de diferentes formas.

Em 1995, este livro foi adaptado para o grande ecrã pela mão do realizador Zalman Kings. Interpretado por Audie England e Costas Mandylor, a película dá especial enfoque a um dos contos deste livro. Ao longo de mais de uma hora e meia, conhecemos a história de uma escritora americana e de um expatriado americano que começam um romance sórdido entre o caos e a discórdia que se vive em Paris no ano de 1940, no auge da II Guerra Mundial.

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