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O Senhor dos Anéis: 5 detalhes dos livros que foram esquecidos

O Senhor dos Anéis: 5 detalhes dos livros que foram esquecidos

 

Já todos conhecem a história. O pequeno hobbit que parte do Shire para Mordor com o maldito anel do Senhor das Trevas enquanto à sua volta elfos, humanos e anões se unem para travar batalhas contra os servos do mal. Os livros de J. R. R. Tolkien já se tornaram clássicos da literatura. Os filmes de Peter Jackson deram imagem à lenda e foram vistos e revistos. Mas neste post, tento explicar como foi bom regressar à Terra Média através das páginas amarelecidas de um livro e como a história é diferente daquilo que vemos nos ecrãs.

Há quem diga que O Senhor dos Anéis é um dos raros casos em que o filme supera os livros. Os filmes são bons, é verdade, mas custa-me a aceitar esta frase usada por tantos fãs. J. R. R. Tolkien passou anos e anos a desenhar esta Terra Média de que falamos. Não só fez mapas como demorou anos a escrever a história do mundo, criando as próprias raízes, deuses e histórias da Terra Média até ao momento em que chegou a história de Frodo Baggins. Tais histórias podem ser lidas em Silmarillion, considerada a bíblia d’O Senhor dos Anéis.

Ao passar a história do livro para o ecrã, houve muitas cenas que foram cortadas mas que teriam ficado muito bem no ecrã. A adaptação chegou mesmo a ser alvo de polémicas quando a família Tolkien considerou que os filmes de Peter Jackson se afastavam muito do que acontecia nos livros e tentavam ser comerciais.

Neste post, relembro por isso 5 detalhes que faziam parte dos livros mas que foram cortados no momento de realizar os filmes.

Passagem do tempo em O Senhor dos Anéis

Em A Irmandade do Anel, o primeiro livro da trilogia, acompanhamos Frodo ao longo da primeira etapa da viagem rumo a Mordor, os domínios de Sauron e onde se ergue o Monte da Condenação, o único local onde o Anel que dá poder ao Senhor das Trevas pode ser destruído. No livro, Frodo não é tão jovem como nos filmes. O hobbit parte do Shire com cerca de 40 anos, após esperar que Gandalf regresse com a certeza de que aquele é o Anel de Sauron… cerca de quinze anos depois da grandiosa festa de aniversário de Bilbo. Apesar de este detalhe, na prática, não pesar muito nos filmes, esta é uma curiosidade engraçada para quem achava que o Frodo era um simples rapazola à procura de aventura.

A aventura que dava um filme

Se bem recordamos, no filme vemos Gandalf partir para Minas Tirith e a mergulhar nos antigos arquivos da cidade até encontrar referências ao Anel de Sauron. No livro, a investigação do feiticeiro cinzento é mais detalhada. Ao partir do Shire após o aniversário de Bilbo, Gandalf junta-se a Aragorn e juntos partem numa aventura que poderia ter dado um livro inteiro.

Gandalf e Aragorn viajam pelos ermos mais distantes da Terra Média à procura de Gollum, certos de que este homem reduzido a uma estranha criatura seria capaz de dar a resposta à dúvida que tanto os atormentava: que poderes tem o Anel? Eventualmente, Gandalf cansa-se da procura e relembra o que Saruman lhe disse uma vez sobre o Anel. Aí sim, parte para Minas Tirith. Mas Aragorn prossegue na sua jornada e encontra Gollum.

Com o prisioneiro, Aragorn alcança a Floresta Sombria onde vive Legolas e onde Gollum é aprisionado até ao regresso do feiticeiro Assim que o feiticeiro regressa, a verdade é revelada: Gollum conta como o seu amigo Deagól encontrou o Anel e como ele mesmo, numa altura em que ainda se dava pelo nome de Smeagól, matou o amigo para ficar com o ‘seu precioso’.  Relata ainda a fuga para as cavernas das Montanhas Nebulosas e como, finalmente, perdeu o Anel para Bilbo. Só então Gandalf regressa ao Shire para confirmar que o Anel de Sauron está na posse de Frodo.

Curiosamente, fãs dos livros reconheceram o potencial deste enredo e decidiram eles mesmos pegar em câmaras e contar a história. O filme The Hunt for Gollum, que conta com 40 minutos, está disponível na íntegra no YouTube.

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O banquete com os elfos

Algumas das melhores cenas do livro acontecem ao longo de 4 capítulos que foram totalmente cortados dos filmes e que narram a viagem dos hobbits até Bree. Num desses capítulos, enquanto atravessam uma floresta, os hobbits cruzam-se com um grupo de elfos e são atraídos pelos cânticos de A Elbereth O Giltohiniel, uma das melodias mais belas cantadas no idioma élfico. Na versão alargada do filme, esta cena é parcialmente inserida, quando os hobbits vêem a companhia de elfos passar, brilhando à luz da lua.

Todavia, os elfos, liderados por Gildor Inglorion da Casa de Finrod prometem acompanhar os hobbits durante a parte da viagem e falar um pouco sobre os misteriosos Cavaleiros Negros que os perseguem. Num salão que tem como telhado as copas das árvores, ceiam uma comida simples constituída por pão élfico, bagas silvestres e maçãs tão doces que Sam confessa se pudesse cultivar maçãs como aquelas se consideraria jardineiro. É uma cena bonita, cheia de luz e e excelentes descrições, que nos mostra que há muito mais na Terra Média para além dos orcs, batalhas e criaturas malvadas.

Tom Bombadil

Para grande contestação de alguns fãs dos livros, esta personagem de chapéu pontiagudo e com uma expressão tão sorridente  não surge na adaptação cinematográfica. Falamos de Tom Bombadil, um homem alegre e da terra, poderoso mas puro, cheio de cantigas e sempre rodeado dos seus amigos passarinhos. Vive numa cabana com a sua esposa, Goldenberry, e recebe os pequenos hobbits durante alguns dias ao longo da jornada para Bree.

A pureza e poder de Bombadil é de tal forma destacada que Frodo chega mesmo a perguntar-lhe se não pode ficar ele com o Anel. Como é que alguém tão puro e feliz pode usar o Anel para fazer o mal? Mas Bombadil, muito assustado, responde que não, temendo que a sua bondade seja corrompida. Para os que quiserem saber mais sobre personagem, recomendo a leitura do livro de contas escrito pelo próprio Tolkien: As Aventuras de Tom Bombadil.

O Espetro das Antas

Ao deixarem o conforto da cabana de Tom Bombadil, os hobbits são então sequestrados por um Espetro das Antas, uma criatura maligna que os fecha num túmulo para aí morrerem. Esta é uma cena macabra, se assim se pode dizer, mas que não deixa no entanto de ser visualmente bonita e de acrescentar à história aquele lado sombrio da Terra Média. Ao acordar de uma sonolência a que foi submetido, tal como os três outros hobbits, Frodo descobre-se deitado sobre jóias e ouro, todo vestido de branco e com uma coroa na cabeça. A posição em que estão deitados, assim como a pele pálida, transmite a ideia de que já estão mortos e de que foram realmente sepultados.

Felizmente, Tom Bombadil intervêm, derrotando o Espetro das Antas através das suas cantigas e levando consigo os hobbits.

 

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Comments

  • edna
    27 October, 2015

    Gostei de seu texto mas no seu primeiro comentário esqueceu que se o tempo passou até que Frodo se retirasse do Condado para ele em aparência ele não passou, o anel em sua posse já lhe dava a longevidade que havia dado a Bilbo antes dele. Com os outros comentários eu concordo.

  • Eduardo Aranha
    Eduardo Aranha
    27 October, 2015

    Obrigado pelo seu comentário, Edna! Tem a certeza? Na verdade, julgo que o Frodo não usou o Anel, tal como Gandalf lhe disse e, assim sendo, não beneficiava dos seus efeitos.

  • Fernando Blanco
    12 May, 2016

    Exatamente como a Edna disse, o Um já tinha poder de proporcionar longevidade mesmo que não fosse usado. A simples posse do artefato concedia seus efeitos, embora de maneira muitíssimo mais lenta.

  • Sux
    22 June, 2016

    Frodo tinha quase cinquenta quando saiu de Share. Mas aparentava menos porque possuía o anel.

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